O presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, Paulo Paixão, reiterou esta quinta-feira, em entrevista á TVI24, que apesar da "ideia romântica" do início, a vacina contra a covid-19 não protege totalmente da infeção.

Isto é algo que tem sempre sido dito, mas vale a pena relembrar. A vacina protege-nos sobretudo da infeção sintomática e da infeção grave", disse o especialista ao analisar o caso de um surto que atingiu um lar em Belver, no concelho do Gavião, após os idosos já terem recebido as duas doses da vacina contra a covid-19. 

 

Não ficamos totalmente protegidos da infeção, isso era uma ideia romântica. Alguns ficam, outros podemos infetar, ficamos bem, mas podemos continuar a transmitir e, portanto, aparentemente é o que está a acontecer nesta situação", adiantou.

 

O principal efeito da vacina é acabar com as mortes e acabar com as infeções graves. Para já, o primeiro grande objetivo da vacina está a ser conseguido", afirmou o especialista.

Em relação à proteção máxima da vacina, e tendo em conta que cada caso é um caso, Paulo Paixão esclarece: "A proteção máxima não sabemos, mas pelo menos uma a duas semanas depois da segunda dose é aquilo que é esperado que os nossos anticorpos e mesmo outros mecanismos imunitários que ajudam no combate ao vírus"

Uma a duas semanas depois da segunda dose, em princípio, já teremos uma proteção significativa", concluiu.

Uma semana depois de os utentes terem tomado a segunda dose da vacina contra a covid-19, foi detetado um surto na Residencia Sénior de Belver.

Os utentes do lar receberam a segunda dose da vacina no dia 27 de janeiro. No dia 1 de fevereiro (segunda-feira), percebendo que "um dos utentes tinha sintomas que podiam ser de covid-19, fez-se um teste rápido que acusou positivo".

As autoridades de saúde decidiram então fazer testes rápidos em todos os utentes. 

Lara Ferin