O internamento de crianças em 36 contentores no Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) acabou e as estruturas, provisórias há cerca de 10 anos, vão ser desmontadas, revelou hoje a instituição.

Num “edifício de alvenaria”, situado junto aos contentores e também exterior ao corpo principal do hospital, “ficam agora 24 camas” para internamento pediátrico, acrescenta em comunicado o hospital de São João, que espera até ao fim do ano arrancar com a construção de uma nova Ala Pediátrica e que no fim de maio transferiu dos contentores para o edifício principal as crianças com doença oncológica.

As crianças que estavam em enfermarias colocadas em contentores foram deslocadas para um internamento de 25 camas pediátricas situadas no edifício principal do CHUSJ, utilizando espaços que ficaram livres com a relocalização de outros serviços e onde irão manter-se até estar terminada a construção da ala pediátrica”, escreve aquela unidade hospitalar em comunicado.

O ‘São João’ acrescenta que “os 36 contentores da pediatria ocupavam uma área de 470 metros quadrados” e “representavam um custo anual próximo dos cem mil euros”.

A unidade hospitalar justifica que o internamento de crianças em contentores terminou “logo que foi possível reunir as condições necessárias para a dispensa daquela solução, após oito anos de utilização”.

O ‘São João’ não especificou quantas crianças foram transferidas dos contentores, descrevendo apenas que a nova área de internamento, no edifício principal, “está a ser partilhada com as crianças que estavam internadas na Cirurgia Pediátrica, que assim também obtiveram uma melhoria na sua qualidade assistencial”.

A abertura das novas instalações reduz significativamente a necessidade de transporte de ambulância entre o internamento e o edifício principal, para muitas das crianças internadas”, destaca o hospital.

A instituição refere ainda que “a relação de proximidade com outros serviços hospitalares e a melhoria das condições de tratamento” se “vão, seguramente traduzir numa melhoria da eficácia clínica”.

Já no dia 1 de junho, Dia Mundial da Criança, o internamento das crianças com doença oncológica no CHUSJ havia igualmente passado para instalações no edifício principal”, lembra.

A 31 de maio, Filomena Cardoso, enfermeira diretora do ‘São João’ e membro da administração daquele centro hospitalar disse que as 24 crianças do serviço de pediatria geral iam permanecer em contentores até ao final de junho, altura em que seriam internadas num edifício de alvenaria.

A responsável falava no âmbito de uma visita às instalações do serviço de oncologia pediátrica, localizadas no edifício principal do S. João, que a partir daquele dia acolheram as oito crianças com cancro em internamento no centro hospitalar.

Na ocasião foi dito que o Serviço de Oncologia Pediátrica do CHUSJ funcionaria nas atuais instalações no piso 1 do hospital, até serem concluídas as obras da ala pediátrica, que têm início previsto este ano.

Estão previstos 400 internamentos por ano no serviço.

Há 10 anos que o hospital tem um projeto para construir uma ala pediátrica, mas desde então o serviço era prestado em contentores.

Em novembro de 2018, pais e mães de crianças internadas alertaram para os contentores “indignos e desumanos” do internamento pediátrico do Hospital de São João.

Em entrevista à Lusa, descreveram “quartos minúsculos sem janelas”, “cartão a tapar buracos na parede”, portas vedadas com “adesivo do hospital” e “uma sanita e duche para os 40 ou 50 pais”.

A 28 de maio, o presidente do Conselho de Administração do hospital, Fernando Araújo, disse que a construção da ala pediátrica deve começar até ao final do ano.

Pais dizem que “excelente” seria que ala pediátrica arrancasse

A Associação Pediátrica Oncológica (APO) considerou que o anúncio do Hospital Universitário de São João (CHUSJ), Porto, de que o internamento em contentores acabou, seria “excelente” se incluísse dados sobre o arranque da obra da ala pediátrica.

Se terminarem os contentores, é uma boa notícia. Sempre que se termina uma coisa que é má, ou péssima, ou miserável, é sempre uma boa notícia. Mas temos de ser muito vigilantes e ativos. A excelente notícia era: as crianças vão para o edifício central e a obra vai arrancar”, disse, à agência Lusa, o presidente da associação, Jorge Pires.