Num caso eram imagens dos órgãos sexuais apenas de meninas, a maioria com menos de 12 anos. No outro, foram encontrados mais de 20 mil ficheiros, onde havia “de tudo”, inclusive imagens de crianças com dois e três anos. Os predadores sexuais que as tinham no computador são portugueses, tem 56 e 28 anos, vivem em Guimarães e na Covilhã, respetivamente, e ambos vivem em casa dos pais. Foram detidos pela Polícia Judiciária depois de uma organização internacional ter dado o alerta.

Ao que a TVI apurou, a denúncia chegou através do National Center for Missing and Exploited Children, que enviou os casos detetados para a Procuradoria-Geral da República que depois os encaminhou para a Polícia Judiciária. Seguiu-se um trabalho informático, de obtenção de registos, nomeadamente às operadoras, e depois a obtenção dos mandados de detenção.

Na Diretoria de Braga, a ordem para avançar chegou pouco mais de um ano depois do primeiro alerta. A Polícia Judiciária encontrou um homem de 56 anos, a viver na cidade de Guimarães, desempregado, divorciado, a viver com a mãe e com dois irmãos.

No computador tinha dezenas de fotografias e vídeos de meninas nuas, ocidentais, com menos de 12 anos, algumas com menos de dez, não só a serem expostas e filmadas, como também a serem sujeitas a atos sexuais. Os crimes ocorriam, pelo menos, desde 2017.

Existem redes de lenocínio de menores, de prostituição, muito organizadas, sobretudo com crianças do leste da Europa”, adiantou à TVI fonte da investigação.

Neste caso, o suspeito não precisou de ir à darkweb, uma parte da Internet que não está acessível através dos motores de pesquisa tradicionais. Bastou-lhe aderir a grupos privados do Facebook e do Whatsapp para ter acesso aos ficheiros de pornografia infantil, para depois os voltar a partilhar.

Ao final do dia desta-sexta-feira ainda não eram conhecidas as medidas de coação.

Na Covilhã, o suspeito detido tem apenas 28 anos, mas o perfil é semelhante. Vive com os pais, solteiro e operário fabril. No telemóvel e no computador tinha mais de 20 mil ficheiros com imagens de crianças do sexo masculino e feminino, todos com menos de 14 anos, alguns com dois e três anos.

Se em Guimarães não foram encontrados indícios de que o suspeito de 56 anos tenha alguma vez passado do voyeurismo à prática, no caso da Covilhã já não haverá tantas certezas.

A investigação ainda decorre, mas este suspeito se não chegou a procurar menores, faltaria muito pouco”, revelou fonte policial à TVI.

Neste caso, a visualização de imagens de menores a serem abusados sexualmente já ocorria há pelo menos quatro anos. Também aqui, o predador acedia aos conteúdos e voltava a partilhá-los, usando, em alguns casos, as redes banais como o Skype e o Hangouts.

Apesar das suspeitas de que o suspeito poderia já ter praticado crimes de abuso sexual de menores ou que poderá vir a cometer esse crime, o tribunal decidiu não aplicar a prisão preventiva, prevista para este tipo de crime. O operário fabril da Covilhã está proibido de contactar com menores, de aceder à Internet e obrigado a receber tratamento psiquiátrico.

Este tipo de crime alimenta um comércio internacional. Não é uma agressão física, mas é de uma perversidade enorme”, conclui um investigador à TVI. 

Cláudia Lima da Costa