Todas as forças políticas da Assembleia Municipal de Lisboa foram esta terça-feira unânimes no pedido à autarquia para mais iluminação e policiamento em toda a envolvente do Campus Universitário, incluindo nos parques de estacionamento.

Num dos pontos da recomendação apresentada pelo Partido da Terra (MPT), e que foi aprovada por unanimidade, é pedido à Câmara de Municipal Lisboa, liderada por Fernando Medina (PS), que diligencie “um maior investimento” quer na iluminação, quer no policiamento na zona envolvente do Campus Universitário, no Campo Grande.

PS, PSD, CDS-PP, PCP, BE, PAN, PEV, MPT e PPM são os partidos com representação na Assembleia Municipal de Lisboa.

A recomendação tinha ainda outro ponto, em que era defendido que a zona da Cidade Universitária deve estar contemplada “no estudo das zonas da cidade com futura videovigilância”.

Esse ponto foi aprovado por maioria, com os votos contra de BE, PCP, PEV e de três deputados municipais independentes. Outros quatro deputados municipais independentes optaram pela abstenção.

No final do ano passado, um jovem de 24 anos foi morto com uma arma branca por um grupo de assaltantes quando regressava de um restaurante de ‘fast food’ junto à Faculdade de Ciências, no Campo Grande, admitindo-se que tenha oferecido resistência aos agressores, que o esfaquearam, provocando-lhe a morte no local.

O que aconteceu àquele jovem é a faceta mais negra da insegurança [na cidade de Lisboa]", salientou José Inácio Faria, do MTP, numa declaração política na reunião de hoje da Assembleia Municipal de Lisboa.

Os deputados municipais aprovaram ainda uma moção do CDS-PP para que a Câmara de Lisboa exorte o Governo (PS) a autorizar a alocação de mais agentes da PSP, mais viaturas de patrulha e a disponibilização de todos os recursos necessários à execução do policiamento de rua na cidade.

Na moção, os centristas defendiam também mais iluminação e policiamento de rua nos estabelecimentos de ensino superior e respetivos campus universitários, “sobretudo nos parques de estacionamento exterior e nas zonas pedonais até aos transportes públicos mais próximos”.

Os eleitos do CDS-PP solicitavam ainda o reforço de câmaras de videovigilância nos locais “que registaram um maior número de assaltos, designadamente nos parques de estacionamento exteriores dos campus universitários, de modo a que funcionem como meio dissuasor, preventivo, e, sobretudo, como se tem verificado em alguns casos, como meio de identificação de prova”.

Este ponto relativo às câmaras de videovigilância teve o voto contra do BE, do PEV e do PCP e de cinco deputados municipais independentes. Outros três deputados municipais independentes abstiveram-se

Na moção era igualmente defendido que o Ministério da Justiça e o parlamento deviam estudar a pertinência do agravamento das penas nas “situações de assalto com ofensas à integridade física e/ou homicídio de cidadãos” e o agravamento das penas quando há reincidência do culpado no mesmo tipo de crime, mas o CDS-PP decidiu retirar este ponto do texto.

O CDS-PP apresentou também um voto de pesar pelas mortes do jovem no Campo Grande e de outro jovem em Bragança, “ambos vítimas de atos de violência gratuita”.

Estes atos têm em comum o facto de serem de violência extrema e gratuita e reveladores de um total desrespeito pelo valor da vida humana, que não podem deixar ninguém indiferente”, lê-se no voto que foi aprovado por unanimidade.

No texto, a Assembleia Municipal expressa ainda “a sua preocupação pelo aumento deste tipo de crimes”.