Os grupos privados de saúde continuam a receber doentes covid-19 do SNS, sobretudo em Lisboa e Porto, em ligação com as Administrações Regionais de Saúde. É o próprio presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo que diz não haver razões para requisição civil, tema que ganhou protagonismo com a campanha eleitoral para as Presidenciais deste domingo, nomeadamente por parte das candidatas Ana Gomes e Marisa Matias.

A TVI contactou fontes de vários hospitais para saber o número de pacientes Covid e do SNS neste momento nos privados. 

Está quinta-feira, o Grupo CUF tinha 76 doentes covid-19 em três dos seus hospitais (CUF Descobertas, CUF Tejo e CUF Porto), dos quais 30 provenientes do SNS, isto é, em articulação com o Estado. Além disso, mais três hospitais da CUF (Viseu, Coimbra e Sintra) estão a receber pacientes não-covid do SNS, para libertar espaço nos hospitais públicos. 

O Grupo Luz Saúde tinha esta quinta-feira 52 internados covid-19, onze dos quais provenientes do SNS. Daqueles 52 internados, o Hospital da Luz, em Lisboa, tinha onze internados nos Cuidados Intensivos, incluindo duas mulheres grávidas e um ventilado pediátrico, isto é, uma criança. Dos onze em Cuidados Intensivos, dois eram provenientes do SNS. 

Tanto o Grupo CUF como o Hospital da Luz estão a abrir mais camas para doentes com covid-19 em resposta às solicitações das ARS. O mesmo acontece com o terceiro grande grupo privado de saúde. 

O Grupo Lusíadas, que teve cerca de 400 doentes provenientes do SNS até novembro, tinha esta quinta-feira 25 internamentos covid-19 provenientes do SNS, cinco dos quais em unidades de Cuidados Intensivos. Além disso, os seus hospitais tinham cerca de 80 doentes não covid-19 provenientes do SNS.

Fontes de todos estes grupos falam já de proximidade dos limites, havendo no entanto ainda algum espaço para abrir mais camas para doentes com covid19. Todos dizem que a requisição civil é uma falsa questão, porque estão há meses a trabalhar com o SNS. Os acordos com o Estado foram firmados em novembro, mantendo-se uma negociação dinâmica em função da procura. 

Foi o próprio presidente da ARS Lisboa e Vale do Tejo quem disse esta quinta-feira, aos microfones da TSF, que “todos os recursos dos privados estão a ser usados”. E que “se não há recursos, não se pode requisitar nada”.

Existe ainda a situação dos hospitais públicos geridos por privados, as PPP. Na zona de Lisboa, os três hospitais PPP (Cascais, Vila Franca de Xira e Beatriz Ângelo) estão todos com doentes com covid-29. O caso mais dramático é o Beatriz Ângelo, que está há várias semanas com uma taxa de esforço em camas Covid acima dos 60%.

A taxa de esforço é uma das questões que tem oposto privados e Estado nas negociações. Taxa de esforço é a percentagem de camas atribuída a Covid, tirando as chamadas camas específicas (como camas de queimados, obstetrícia ou psiquiatria). Os privados queixam-se de estarem com taxas de esforço superior aos hospitais do Estado (O Santa Maria, em Lisboa, está por exemplo com uma taxa de esforço de cerca de 30%). Para o Estado, não pode ser de outra forma, pois o SNS não pode deixar de prestar serviços a outras patologias. 

No caso do Beatriz Ângelo, a capacidade tem sido libertada por desvio de pacientes para outros hospitais, nomeadamente pra o Hospital da Luz, que está a fazer as cirurgias oncológicas do Beatriz Ângelo, além de já ter realizado cerca de 150 cirurgias para o Santa Maria. 

Pedro Santos Guerreiro