A Câmara Municipal de Pedrógão esteve a retirar donativos que estavam guardados num dos armazéns da autarquia. Telmo Alves, filho do presidente da autarquia que gere todos os donativos, esteve no local a acompanhar a retirada dos bens.

Isto acontece depois da investigação da TVI ter denunciado a existência de bens doados à Câmara Municipal, na sequência do grande incêndio de junho de 2017, escondidos em armazéns, um ano e meio depois da tragédia.

Sacos com roupa, colchões ainda dentro das embalagens, foram agora transportados por funcionários da câmara em camiões do município. 

A Cruz Vermelha Portuguesa garantiu à TVI que neste armazém não só não tem nada como não pediu à autarquia para retirar donativos que estão à sua responsabilidade.

CVP diz que bens armazenados são para apetrechar casas

Esta terça-feira, a Cruz Vermelha Portuguesa, que integra a Comissão Técnica do Fundo Revita e que é responsável pelo apetrechamento das habitações afetadas, informou que todos os bens doados a este fundo são inventariados por esta entidade.

"Por regra, os bens ficam à responsabilidade dos doadores que os entregam diretamente nas habitações. Os restantes, destinados às casas que ainda aguardam a conclusão do processo de reconstrução, encontram-se armazenados num espaço cedido pela Câmara Municipal, que é a entidade responsável por proceder à respetiva entrega após indicação" da Cruz Vermelha, lê-se na nota.

Esta entidade está responsável pelo apetrechamento de 76 casas, estando 44 já com o processo concluído.

Neste momento, há 23 processos em conclusão em Pedrógão Grande, oito em Castanheira de Pera e um em Figueiró dos Vinhos, referiu.

No processo, a Cruz Vermelha Portuguesa "assume a responsabilidade de apetrechar as casas que lhe são atribuídas, angariar bens e/ou serviços de doadores e, após validação da necessidade social no terreno, propõe à Comissão Técnica [do Fundo Revita] a respetiva distribuição".

À TVI, a Cruz Vermelha, assegurou não ter donativos armazenados nos edifícios que a reportagem da TVI visitou e onde descobriu bens amontoados e a deteriorarem-se.

Câmara diz que não sonegou bens

No domingo, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande explicou que a autarquia se limitou a ceder espaços para acolher donativos para as vítimas dos incêndios de 2017, rejeitando suspeitas de favorecimento.

Em conferência de imprensa, convocada para refutar as acusações de favorecimento e açambarcamento de ofertas relatadas pela TVI, Valdemar Alves reafirmou a transparência do processo por parte da autarquia.

"Os eletrodomésticos que estão num armazém da autarquia são da Cruz Vermelha/Revita, responsável pela gestão do apetrechamento das habitações" ardidas no incêndio de junho de 2017, que causaram 66 mortos e destruíram centenas de habitações, explicou Valdemar Alves.

O presidente da Câmara disse que o município cedeu o antigo pavilhão gimnodesportivo da vila para a Cruz Vermelha depositar eletrodomésticos, desde frigoríficos a máquinas de lavar roupa e micro-ondas, que serão depois utilizados no apetrechamento das casas reconstruídas nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Viseu.

As instalações servem também a SIC/Esperança e os bombeiros voluntários de Pedrógão Grande.

Valdemar Alves acrescentou que os materiais de construção doados ao município têm sido distribuídos a "quem deles tem necessitado para a reconstrução das suas habitações".

Relativamente a outros bens, como móveis usados, roupa e colchões, o autarca referiu que "estão à disposição de todos os que têm precisado, sejam do concelho ou não".

"Ajudámos e ajudamos pessoas vítimas de outros concelhos afetados pelos fogos de 2017, basta que as pessoas se dirijam à Loja Social que está aberta todos os dias da semana", disse.

A conferência de imprensa terminou com uma visita ao armazém ocupado pela Cruz Vermelha, onde de facto se pode ver frigoríficos e outros eletrodomésticos com uma folha A4 com o nome da instituição, e à Loja Social do município.