A greve dos trabalhadores não docentes em protesto contra condições de trabalho estava cerca das 09:30 a fechar escolas em todo o país, estimando-se uma adesão acima dos 90%, disse à Lusa um dirigente sindical.

Ainda é cedo para dados muito concretos uma vez que a informação ainda está a ser recolhida por dirigentes sindicais de norte a sul do país. O que os dirigentes sindicais me têm transmitido é que o que está a ser difícil é encontrar escolas abertas”, disse o presidente da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), Artur Sequeira, que convocou a greve.

Artur Sequeira adiantou que a adesão está a ser superior à da última paralisação, que foi de 85%, e remeteu para mais tarde dados mais concretos sobre escolas fechadas no país.

Na região Centro, a adesão à greve ronda os 90%, tendo levado ao encerramento de mais de 150 estabelecimentos de ensino.

É uma adesão grandiosa e bastante significativa”, disse António Macário, da direção do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Centro.

Às 11:30, segundo o dirigente, “mais de 150 escolas” estavam fechadas nos cinco distritos abrangidos pela organização.

Várias escolas estão encerradas esta sexta-feira devido à greve dos trabalhadores não docentes dos estabelecimentos de ensino, que protestam contra a “falta crónica” de funcionários.

Em Queluz, na Escola Secundária Miguel Torga, a TVI apurou que só apareceram duas funcionárias.

Em Benfica, em Lisboa, a Escola Secundária José Gomes Ferreira fechou pela primeira vez na história. Pelas 08:40, o diretor do Agrupamento de Escolas de Benfica, Manuel Esperança, dirigiu-se às dezenas de alunos que se juntaram no auditório do Bloco C da escola para os informar de que poderiam ir embora porque não havia aulas.

Não vamos ter aulas hoje, mesmo que venham um ou dois funcionários, que não devem vir”, disse Manuel Esperança num auditório ainda às escuras, recebendo de volta aplausos de contentamento dos alunos.

No Porto, dezenas de escolas estão encerradas devido à greve, como a Escola Clara de Resende.

Orlando Gonçalves, do sindicato do setor, afirmou à TVI que "em princípio as escolas estarão quase todas encerradas" na região.

Em princípio as esoclas estarão quase todas encerradas. Ainda não temos conhecimento de nenhuma que tenha aberto", vincou.

O responsável afirmou que outra coisa não era esperada depois de os funcionários terem conhecimento de que "o programa do Governo não faz uma única referência em 196 páginas ao pessoal não docente das escolas".

Não esperávamos outra coisa depois das declarações do senhor ministro e depois dos trabalhadores terem conhecimento do programa do Governo que não faz uma única referência em 196 páginas ao pessoal não docente das escolas."

No Altentejo, dezenas de estabelecimentos de ensino, desde jardins-de-infância a escolas secundárias, estão encerrados.

No distrito de Évora, “estão encerradas todas as escolas, desde os jardins-de-infância a secundárias, nos concelhos de Montemor-o-Novo, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas e Viana do Alentejo”, disse Mariana Reto, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA).

Segundo a dirigente sindical, no concelho de Évora “todas as escolas do 2.º e 3.º ciclos e as secundárias também estão encerradas”, assim como “algumas primárias”.

Já no Algarve, na Escola EB 2,3 de Montenegro, em Faro, vários encarregados de educação e alunos juntaram-se à entrada da escola, solidários com os funcionários em protesto.

José Paulo Dias, vice-presidente da associação de pais da escola, afirmou à TVI que que os funcionários "são uma chave importantíssima no acompanhamento dos alunos".

Estamos aqui num ato de solidariedade com esta ação de revindicação porque queremos garantir a segurança dos nossos alunos, a segurança dos nossos filhos, que os funcionários tenham condições de trabalho porque a escola não se faz só de alunos e professores, faz-se também com funcionários."

"Os funcionários são uma chave importantíssima no acompanhamento dos alunos."

Também em Coimbra, a Escola Quinta das Flores encerrou porque dos 27 funcionários apenas três estão ao serviço.

É uma escola muito grande, só com três funcionários não há as mínimas condições de segurança. Por isso decidimos encerrar a escola”, afirmou Lúcio Pratas, o diretor do estabelecimento de ensino.

A greve foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, com o argumento de que a falta de pessoal não docente se arrasta sem solução há anos, apesar das promessas dos sucessivos governos e que o problema se agravou no presente ano letivo.

Artur Sequeira, Coordenador Nacional da Educação da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, esteve esta sexta-feira no Diário da Manhã da TVI e afirmou que, numa escola do primeiro ciclo, por exemplo, há um funcionário para cerca de 48 alunos.

A estrutura sindical exige ainda o fim da precariedade, a integração dos atuais trabalhadores precários e a contratação imediata de mais 6.000 trabalhadores para os quadros.

A lista de reivindicações inclui ainda uma nova portaria de rácios e dignificação salarial e funcional e o fim do processo de descentralização das escolas públicas, e um ensino universal, inclusivo e de qualidade.

A estrutura sindical espera que a greve nacional encerre escolas em todo o país e um forte impacto nos estabelecimentos de Lisboa.

/ SS - atualizada às 14:34