A Procuradoria-Geral da República confirmou esta terça-feira à agência Lusa a existência de um “inquérito” a um caso de alegado abuso sexual a uma criança na Escola Secundária de Arouca, mas a diretora do estabelecimento diz que o caso é “totalmente falso”.

Confirma-se a existência de um inquérito relacionado com a matéria. O mesmo foi instaurado por iniciativa do Ministério Público”, afirma a PGR em resposta escrita à Lusa.

Questionada pela Lusa sobre o caso do alegado abuso sexual a uma criança na Secundária de Arouca, no distrito de Aveiro, a diretora daquela instituição escolar, Adília Cruz, disse que tal suspeita “era totalmente falsa” e que se fosse verdade teria de ter chamado a GNR e mandado a criança para o hospital, factos que alega não terem sucedido no interior da escola.

Se isso tivesse acontecido, tinha chamado a GNR e mandado para o hospital e isso sabia-se, mas pode ligar para a GNR e para o Centro de Saúde”, sugeriu Adília Cruz.

À Lusa, um dos responsáveis da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Arouca, que pediu para o nome não constar na notícia por “medo de represálias”, disse ter ido falar com a vice-diretora do Conselho Executivo daquela escola na quarta-feira passada, dia 3 de abril, sobre o alegado caso de abuso sexual de “uma menina do 5.º ano”.

Foi-lhe dito pela vice-presidente que o caso seriam “boatos” e que “naquelas idades toda a gente comete erros que precisam de ser corrigidos”. O castigo aplicado aos alegados agressores terá sido a mudança de turma, acrescentou a mesma fonte.

Uma professora da escola, que também pediu anonimato, disse ter conhecimento do caso do alegado abuso sexual no interior da escola a uma menor de idade e que houve vários alunos envolvidos, alguns deles suspensos pela escola.

Uma funcionária da Associação para a Integração de Criança (AICIA) confirmou que a criança que alegadamente sofreu abusos sexuais é utente daquele espaço, onde está a ser seguida por uma psicóloga há vários anos e onde tem terapia da fala periodicamente.

Uma das psicólogas da instituição adiantou que os progenitores da criança, apesar de não desejarem falar sobre o assunto, lhe adiantaram que o processo está a “tomar os trâmites normais e legais”.

A agência Lusa questionou a Comissão de Proteção de Crianças de Jovens em risco de Arouca sobre registos de casos de abuso sexual a menores de idades no município recentemente, que informou que “no ano de 2019 até à presente data não foi sinalizada nenhuma situação de abuso sexual nesta comissão de Proteção de Crianças e Jovens”.

A Lusa contactou fonte das relações públicas da GNR de Aveiro que declarou que do “Posto da GNR de Arouca até à data não lhe foi reportado nenhum tipo de situação de abuso sexual na Escola Secundária de Arouca”.

Um inquérito instaurado acontece depois da apresentação de uma queixa ou da presentação de um auto de notícia pelas autoridades policiais ou pelo próprio Ministério Público.

A Lusa tentou obter informações da Associação de Pais da Escola Secundária de Arouca, enviando mensagem via correio eletrónico, mas não foi possível obter respostas até à data.