A Unidade de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária (PJ) tem na manhã desta quarta-feira em marcha uma megaoperação de combate ao phishing - método de intrusão nas contas bancárias das vítimas por via informática, através de engenhosos esquemas de obtenção de dados pessoais e palavras-passe.

Seis pessoas foram detidas pela Unidade de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ, que realizou 31 buscas numa operação de combate ao acesso indevido a contas bancárias através da internet.

Os suspeitos detidos no âmbito da operação "BITPHISH" são quatro homens e duas mulheres, com idades entre os 25 e os 70 anos. Além dos detidos foram ainda constituídos mais 10 arguidos.

Nesta operação foi possível apreender cerca de ‪200 mil euros em numerário, um prédio urbano, um automóvel, uma arma de fogo e diversos elementos de prova", revelou a PJ.

Os hackers em causa respondem por crimes como burla informática e acesso ilegítimo, sob suspeita de terem feito centenas de vítimas em Portugal - lesadas em centenas de milhares de euros, retirados das contas ou através de gastos com cartões de crédito. Foram identificados pela PJ  pelo rasto informático que deixam nas redes - e a operação desta quinta-feira também visa a apreensão de dezenas de computadores usados para estes esquemas.

Os suspeitos vão agora ser presentes ao juiz Ivo Rosa, que lhes vai decretar as medidas de coação.

O cibercrime disparou em Portugal desde o ano passado, com a pandemia e com o recurso ao teletrabalho, sobretudo através dos esquemas de phishing. 

Um relatório da Kaspersky referente a 2020 coloca Portugal no segundo lugar do mundo com mais vítimas de phishing, a nível global, num ano em que foram identificados cerca de 430 milhões de tentativas deste tipo de ataque.

O Brasil lidera a tabela dos países com maior número de vítimas afectadas, seguido do nosso país - com mais de 13% dos utilizadores a serem vítimas de tentativas de intrusão nas contas bancárias.

Henrique Machado / RL