Nos concelhos de Seia e de Gouveia, na Serra da Estrela, no distrito da Guarda, foram reconstruídas 16 casas que arderam nos incêndios rurais de outubro de 2017, anunciaram os respetivos municípios.

A Câmara Municipal de Seia refere, em comunicado enviado à agência Lusa, que, "até ao momento, estão concluídas [as obras de recuperação em] 10 habitações e estão em execução 27 reconstruções".

"De acordo com dados atualizados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), o concelho de Seia tem 37 pedidos de apoio contemplados no âmbito do Programa do Governo de Apoio à Reconstrução de Habitação Permanente", que se referem "a dois apetrechamentos de habitações, 18 reconstruções parciais e 17 reconstruções totais, envolvendo 3,2 milhões de euros", esclarece a fonte.

Segundo a autarquia de Seia, das 10 intervenções concluídas, "uma é relativa a apetrechamento, sete dizem respeito a reconstruções parciais e duas a reconstruções totais" de casas de habitação.

O município presidido pelo socialista Carlos Filipe Camelo garante que apoiou a população "desde o primeiro dia dos incêndios de outubro de 2017".

No concelho de Gouveia, segundo dados da Câmara Municipal, foram reconstruídas parcialmente seis habitações permanentes em Arcozelo (duas), Freixo da Serra (duas), Moimenta da Serra (uma) e Paços da Serra (uma).

Em quatro habitações (em Folgosinho e em Melo), as obras de recuperação total ou parcial estão em fase final de execução e em três casas das localidades de Freixo da Serra, Melo e Vinhó, encontram-se em fase de execução.

Por fim, estão por reconstruir nove habitações em Figueiró da Serra (duas), Freixo da Serra (duas), Gouveia (quatro) e Vinhó (uma).

O município de Gouveia presidido pelo social-democrata Luís Tadeu refere em nota enviada à Lusa que as situações onde as obras de recuperação dos imóveis não se iniciaram devem-se a "questões alheias ao município e à CCDRC".

A fonte refere também um caso em que dois inquilinos "foram apoiados pelo município na procura de nova habitação para arrendamento, bem como em 50% no valor da renda", dois processos "que surgiram recentemente e que se encontram em análise", e uma situação que está em análise por falecimento da proprietária.

Ainda no concelho de Gouveia, após os incêndios de outubro de 2017, na freguesia de Folgosinho foi criada a Folgonatur - Associação Folgosinhense de Defesa da Floresta da Natureza e das Tradições.

Segundo o dirigente António Tadeu Esteves, a coletividade "tem desenvolvido uma resposta muito ativa na mobilização de esforços e vontades para que a reflorestação das zonas envolventes à aldeia de Folgosinho seja uma realidade a breve prazo".

A Folgonatur tem vindo a realizar ações de plantação de árvores em zonas ardidas, procedeu à estabilização de solos em alguns locais e à limpeza de matas em zonas de maior risco de incêndio e realizou conferências sobre a proteção e defesa da floresta.

A direção da associação, com mais de 120 sócios, lembra que colaborou na angariação de cerca de 50 mil árvores, algumas já plantadas, sendo que, só entre dezembro de 2017 e fevereiro deste ano, realizou seis ações de plantação de um total de 14 mil árvores, "com um envolvimento global de mais de 500 voluntários".

Investigação da PJ ao fogo no Pinhal de Leiria em fase de conclusão

A investigação da Polícia Judiciária ao fogo no Pinhal de Leiria está em fase de conclusão, mantendo-se a tese de "mão criminosa", disse à agência Lusa fonte ligada ao processo.

Os dois incêndios que a 15 de outubro de 2017 devastaram 86% do Pinhal de Leiria tiveram "mão criminosa", disse à Lusa fonte da Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, em janeiro.

Um ano depois, segundo fonte ligado ao processo, a investigação à suspeita de "mão criminosa" está em fase de conclusão, no inquérito que é tutelado pelo Ministério Público.

Na altura, em declarações à Lusa, a fonte da PJ de Leiria não adiantou detalhes sobre o método usado para atear os incêndios que destruíram a grande maioria daquela mancha florestal, frisando que a investigação se mantém e que o inquérito "ainda não terminou".

O jornal Expresso afirmava nessa altura que num dos incêndios do pinhal de Leiria "foi usado um engenho artesanal para atear o fogo", embora os investigadores não tenham ainda conseguido identificar os autores.

Estes incêndios destruíram mais de 80% do Pinhal do Leiria, naquele que foi considerado o pior dia do ano de 2017 em fogos.

Marinha Grande já plantou cerca de 40 mil árvores

O Município da Marinha Grande já plantou cerca de 40 mil árvores no Pinhal de Leiria. Um ano depois do fogo, a presidente do Município da Marinha Grande, Cidália Ferreira, afirmou à agência Lusa que assim tomou posse assumiu o compromisso de fazer a plantação de pinheiros em igual número ao de habitantes do concelho: "Aproximadamente 40.000 árvores".

"Essa ação de reflorestação aconteceu em março, a que se juntaram outras tantas árvores oferecidas pela cidade de Fontenay-Sous-Bois, com quem é geminada a Marinha Grande. Além disso, a Câmara Municipal acompanhou e colaborou com diversas entidades e empresas, do setor público e privado, que quiseram associar-se, no âmbito da sua responsabilidade social, a esse gesto de reflorestação do Pinhal do Rei", adiantou.

No entanto, admitiu que a "área já replantada é insignificante face à dimensão da área ardida", pelo que considerou que "há ainda um longo caminho a percorrer".

Recordando que durante o verão não se podem fazer plantações, a autarquia afirma que já foi contactada por algumas entidades para novamente prestar colaboração quando for possível retomar as plantações, interrompidas durante a época do tempo seco.

"A responsabilidade primeira da reflorestação do Pinhal do Rei é do ICNF, enquanto entidade pública que faz a gestão desta Mata Nacional. Apesar de mantermos uma relação institucional saudável, e acompanharmos algum do seu trabalho, a verdade é que não temos conhecimento de todo o trabalho realizado", sublinhou.