As buscas realizadas, esta segunda-feira, pela Polícia Judiciária para desmantelar um grupo que já terá lesado o Estado em mais de 15 milhões de euros levaram à detenção de oito pessoas e à constituição de cerca de 20 outros arguidos.

Em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ) especifica que os detidos são sete homens e uma mulher, concretamente dois advogados, três técnicos oficiais de contas, dois empresários e um empregado de escritório.

Fonte da PJ disse à Lusa que um dos advogados detidos é Fernando Costa Salgado, de Famalicão, que já foi diretor da delegação de Braga do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.

Em julho de 2011, Fernando Costa Salgado foi condenado a quatro anos de prisão pelo Tribunal de Famalicão, que deu como provado que o arguido, no exercício daquelas funções, se apoderou de 187 mil euros destinados ao pagamento de uma dívida ao Estado.

O outro advogado detido é irmão de Fernando Costa Salgado.

Na operação hoje desenvolvida pela PJ, com o nome “Trapos Soltos”, estão em causa crimes de associação criminosa, fraude fiscal qualificada, burla tributária à Segurança Social, burla qualificada, insolvência dolosa, corrupção e branqueamento de capitais.

Até ao momento, a investigação já apurou prejuízos para o Estado, em sede de IVA, IRC e contribuições para a Segurança Social, estimados em mais de 15 milhões de euros.

Os cerca de 20 arguidos constituídos são pessoas singulares e coletivas.

A investigação, a cargo da Polícia Judiciária de Braga, durava há cerca de ano e meio, e contou com a intervenção do Gabinete de Recuperação de Ativos na Diretoria do Norte, em equipa mista com a Direção de Finanças de Braga.

Hoje, foram realizadas cerca de 100 buscas domiciliárias e não domiciliárias e cumpridos oito mandados de detenção, em várias regiões do continente e ilhas, envolvendo elementos da PJ das diretorias do Norte e do Centro e dos departamentos do Funchal, Leiria e Vila Real, bem como da Autoridade Tributária e Aduaneira de Braga.

Os detidos, sete homens e uma mulher, vão ser apresentados às autoridades judiciárias competentes, para aplicação das respetivas medidas de coação.

Redação / AM - Notícia atualizada às 13:32