As doenças respiratórias matam cerca de 40 pessoas por dia, em Portugal. Em quase metade das mais de 13 mil mortes anuais a causa é a pneumonia, uma doença que é potencialmente curável.

O relatório deste ano do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, a que a agência Lusa teve acesso, indica que em 2016 morreram 13.474 pessoas por doenças respiratórias, número que aumentou para mais de 17.000 se forem acrescentados os óbitos por cancro da traqueia, brônquios e pulmão.

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O conjunto alargado das doenças respiratórias leva à morte de 48 pessoas por dia em Portugal, uma média de duas pessoas por hora, juntando os tumores da parte respiratória.

Se forem excluídos os cancros da traqueia, brônquios e pulmão, as doenças respiratórias matam, em média, 37 pessoas por dia em Portugal, com as pneumonias a representarem 44% destas mortes.

Este número é particularmente relevante, visto a pneumonia ser uma patologia potencialmente curável”.

As mortes por pneumonia afetam sobretudo os mais velhos: em 94,3% dos casos, os doentes tinham 65 ou mais anos; em 87% tinham 75 ou mais anos. Há uma “alta prevalência de internamentos por pneumonia como diagnóstico principal, representando cerca de 7% dos internamentos médicos” e perto de 5% de todos os episódios de internamento médicos e cirúrgicos.

Portugal é, de resto, o país europeu onde mais se morre por pneumonia.

Voltando ao relatório, a mortalidade por doença pulmonar obstrutiva crónica é também relevante, representando em 2016 cerca de 20% de todos os óbitos por doença respiratória, vitimando 2.791 pessoas.

Já a asma, que tem relevância em termos de morbilidade, representa apenas 1% do total das causas de morte por doença respiratória.

Terceira causa de morte em Portugal

Para se ter uma ideia ainda mais clara da dimensão do problema, as doenças respiratórias são, desde 2015, a terceira causa de morte em Portugal, logo após o cancro, sendo responsáveis por 19% de todas as mortes no país.

Aliás, os internamentos por doenças respiratórias aumentaram mais de 25% em dez anos e o número de doentes submetidos a ventilação mecânica mais do que duplicou.

Em 2007, Portugal registava menos de 90 mil internamentos por doenças respiratórias, valor que passou para mais de 112 mil em 2016.

Quanto aos doentes internados submetidos a ventilação mecânica, em 2007 eram cerca de 9.300 e dez anos mais tarde mais de 21 mil.

O relatório, que vai ser apresentado esta quinta-feira, em Lisboa, recorda também dados de 2013 relativos aos custos, que apontam para que os internamentos por doença respiratória signifiquem mais de 210 milhões de euros.

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