O Conselho Presbiteral do Porto, que representa os padres da diocese, alertou esta sexta-feira para as consequências da actual crise económica neste território eclesiástico, revelando que os sacerdotes são cada vez mais procurados por pessoas em situação de pobreza.

«Os padres caracterizaram o modo como tudo isto se passa na realidade das suas comunidades, cada vez mais procuradas por pessoas em situações de pobreza, que toca a indigência», refere uma nota de imprensa enviada à Lusa.

O documento apresenta as conclusões da reunião do Conselho Presbiteral da Diocese do Porto realizada quarta-feira, que contou com a presença de cerca de meia centena de sacerdotes, em representação dos 350 padres que servem as 477 paróquias da diocese portuense.

A reunião, que analisou a situação económica e social na área da diocese, contou ainda com a participação do economista Alberto Castro, que foi convidado pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente para apresentar uma reflexão sobre o tema do encontro.

Para este economista, que também preside à Comissão Diocesana de Justiça e Paz, «a Diocese do Porto vai ser a mais atingida pela crise do que o resto do país», atendendo às especificidades da base produtiva desta região, caracterizada por uma forte vocação exportadora e por emprego pouco qualificado e com baixos índices de produtividade.

Nessa perspectiva, Alberto Castro admitiu que o desemprego na área da diocese portuense já tenha atingido os 10 por cento, mas alertou que, em alguns concelhos mais vulneráveis, pode já afectar 15 ou 20 por cento da população activa.

O papel da igreja

O quadro negro traçado pelo economista no início da reunião foi confirmado pelos presidentes das principais instituições diocesanas de acção sócio-caritativa, também presentes nesta reunião do principal órgão de aconselhamento do Bispo do Porto.

«Todos confirmam, a partir da experiência das instituições que dirigem, o crescer da miséria e os aspectos inéditos de que se reveste», alerta o comunicado do Conselho Presbiteral.

O Conselho Presbiteral destaca o papel que pode ser desempenhado pela Igreja Católica, atendendo à «rede de proximidade» que a caracteriza.

Nesse sentido, defende ser uma «exigência acrescida e indeclinável» que as comunidades católicas estejam mais perto «de todas as formas de pobreza, a todas as pessoas em dificuldades».

Por outro lado, considera que «a Igreja Católica pode provocar encontros entre pessoas e instâncias dos quais resultem iniciativas concretas de ajuda e experiências de novos caminhos de solidariedade e de desenvolvimento económico que nos levem a criar laboratórios do modelo de desenvolvimento económico do futuro».
Redação / SM