Um em cada três portugueses tem pelo menos uma doença alérgica e na Europa, as alergias afetam mais de 150 milhões de pessoas. São as mais diversas. alergias ao pólen, pelos de animais, ácaros e alimentos e, ao contrário do que se pensa, não se manifestam apenas na primavera.

As alergias podem ocorrer em qualquer época do ano, depende do estímulo a que se é alérgico. Se formos alérgicos a pólenes, é natural que ocorram mais na primavera e temos vindo a ver que a primavera dura mais tempo em termos de polonização e que há picos de polonização fora da primavera. Mas também há pólenes como o cipreste que poloniza essencialmente no inverno, dezembro, janeiro e fevereiro. Portanto, não é garantido que mesmo os pólenes, que têm épocas determinadas, sejam só na primavera", afirmou o Manuel Branco Ferreira, alergologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, acrescentando que "o verão é quase sempre é uma época um bocadinho melhor porque muitos destes alergénios não se dão bem com o calor e com o tempo mais seco, mas também aí não é garantido".

Segundo o especialista, "quando falamos de ácaros, de pelos de animais, de alergénios que existem dentro das nossas casas, eles existem durante todo o ano".

Os ácaros gostam de calor e humidade. Uma das coisas que podemos fazer nas nossas casas, para além das medidas de higiene normais, é arejar sempre muito bem a casa, evitar roupas com muito pelo, e procurar que não haja condições favoráveis ao seu desenvolvimento". 

As alergias e o número de pessoas alérgicas tem vindo a aumentar, muito por causa da alteração do estilo de vida, "com a ocidentalização e com a introdução precoce dos antibióticos neste aspeto por modificarem muito a flora intestinal, tem muito a ver com as alergias".

Prova disso, é o número de casos de alergia alimentar que tem vindo a crescer "com mais persistência".

A alergia alimentar tem vindo a aumentar muito. É claro que a alergia respiratória é muito importante. A rinite (25%), a asma (7% da população), mas a alergia alimentar tem vindo a aumentar - cerca de 5 a 6 por cento da população - e um aspeto interessante: é muito mais nas crianças e tendia a desaparecer nos adultos, atualmente não é assim."

O especialista lembra ainda que as alergias podem ser perigosas quando não controladas e que "há dois grandes tipos de alergia que matam pessoas".

A primeira é a asma, que tem uma mortalidade importante, particularmente na asma grave. Portugal está no melhor dos melhores países da europa em termos de taxa de mortalidade, mas todas as mortes por asma, por serem evitáveis, são obviamente desnecessárias. A outra é a situação que chamamos anafilaxia, ou seja, uma reação alérgica generalizada que pode matar por a pessoa entrar em choque ou em asfixia. E agora os casos das abelhas e das vespas são os casos importantes. Novamente para aí também temos por vezes um tipo de intervenção como as vacinas que de facto previnem essa situação e é só preciso estudar a pessoa e propor-lhe a terapêutica mais adequada".