O ex-porta voz da Polícia Judiciária Militar, acusado no processo de Tancos, prescindiu de prestar declarações na fase de instrução. Num despacho a que a TVI teve acesso, o arguido Vasco Brazão informou o tribunal de que na próxima segunda-feira não iria responder ao interrogatório, pelo que o juiz decidiu cancelar a audiência.

Recorde-se que o major Vasco Brazão prestou sempre declarações na fase de inquérito, após ser detido em primeiro interrogatório e meses depois, quando foi chamado ao DCIAP para interrogatório complementar com os procuradores do Ministério Público.

O ex-porta voz da PJ Militar está  acusado de cinco crimes e é apontado pela acusação como um dos mentores do plano da encenação para recuperar as armas furtadas em Tancos.

O processo de Tancos tem 23 acusados, incluindo o ex-diretor nacional da Polícia Judiciária Militar (PJM) Luís Vieira, que já foi inquirido nesta fase, o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e o ex-fuzileiro João Paulino, apontado como cabecilha do furto das armas, que respondem por um conjunto de crimes que incluem terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

O caso do furto das armas foi divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, tendo a alegada recuperação do material de guerra ocorrido na região da Chamusca, Santarém, em outubro de 2017, numa operação que envolveu a PJM, em colaboração com elementos da GNR de Loulé.

Inês Pereira