Os crimes de cariz sexual praticados na Internet contra crianças aumentaram em Portugal em 40%, entre janeiro e outubro deste ano, avançou a inspetora-chefe da Polícia Judiciária, Carla Costa, esta segunda-feira à Lusa.

Na sequência do Dia Europeu para a Proteção das Crianças contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual, que é assinalado esta segunda-feira em Lisboa, a inspetora-chefe da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológico referiu que a investigação e a deteção dos agressores sexuais resulta não só da apresentação de denúncias mas "de todo um trabalho de prevenção e monitorização" no espaço da Internet.

Carla Costa admitiu que a investigação deste tipo de crimes é morosa e "por vezes complicada", porque implica a colaboração de outras entidades, entre estas servidores e operadores, exigindo a intervenção de um juiz para autorizar certas diligências.

A inspetora-chefe realçou ainda a importância das parcerias com a APAV, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, e com a associação "Miúdos Seguros na NET", a qual tem desenvolvido ações de sensibilização nas escolas e divulgado conteúdos relacionados com a temática.

Carla Costa reconheceu que o facto de tais ilícitos praticados contra as crianças serem "crime público" facilita a abertura da investigação, porque esta deixou de estar dependente de queixa ou de participação às autoridades policiais e judiciárias.

A inspetora-chefe da PJ revelou que esta polícia de investigação criminal está a "fazer estudos sobre os perfis dos agressores sexuais online", adiantando que 97% destes são do sexo masculino. Quanto à faixa etária, esta tem-se mostrado "diversa" até ao momento.

A PJ indicou ainda que alguns dos agressores sexuais têm já antecedentes criminais relacionados com esta tipologia de crimes, designadamente pornografia de menores, mas também com outro género de criminalidade associado.

Entretanto, foi também divulgado, no âmbito do dia que hoje se assinala, que mais de 2.700 crianças foram vítimas de abusos sexuais nos últimos três anos e que já em 2019 dezenas de crianças e jovens pediram ajuda por causa de um crime que acontece sobretudo na família e deixa marcas irreversíveis.

Os dados estatísticos do Ministério da Justiça mostram que nos últimos três anos, entre 2016 e 2018, foram registados 2.752 crimes de abuso sexual de menores pelas autoridades policiais portuguesas, tendo havido mais de 5 mil processos que deram entrada na PJ.