O diretor da Polícia Judiciária da Guarda disse esta quinta-feira à TVI que o desaparecimento natural de Noah em Proença-a-Velha tem "consistência".

"Tem consistência o desaparecimento natural", afirmou José Monteiro, referindo-se a uma ausência natural sem intervenção de terceiros.

Neste momento, continua o diretor, a Polícia Judiciária diz que a hipótese de se ter tratado de uma ausência natural é o mais certo. "Até ao momento não foram confirmados atos criminosos neste processo", explica.

A Polícia Judiciária está a investigar o caso, que está a ser tutelado pelo Ministério Público, com o objetivo de conseguir um "cabal esclarecimento do facto". "Importa fechar convenientemente todo o processo para que duvidas sejam esclarecidas".

No entanto, sublinha José Monteiro, "toda esta situação é demasiadamente longa para quem estava com ansiedade de encontrar a criança, mas é demasiado curta para dizer com cabal segurança aquilo que se passou".

"O trabalho da investigação criminal da Polícia Judiciária partiu da questão de como é que uma criança desaparece de um ambiente familiar. Mas nem tudo é inexplicável, há situações em que pode ser mais ou menos compreensível para o cidadão que tem bom senso e razoabilidade", diz.

Para o diretor da PJ, é "evidente" que a própria apreciação do contexto sócio-familiar da família de Noah possa passar por outras instâncias. "Do ponto de vista da investigação, para nós, não foi detetado desde o primeiro momento qualquer elemento que nos permite sequer verificar uma responsabilidade explícita pelo crime de abandono ou exposição".

A criança de dois anos e meio terá passado a noite junto com a mãe, sendo que o pai estava noutra divisão da casa. "Como é habitual", refere a PJ, "o pai saiu cedo para os trabalhos agrícolas e, como é uma região tranquila, naturalmente terá deixado a porta entreaberta. É muito normal que a mãe estivesse a dormir e que a criança, esporadicamente, acordasse e saísse de casa".