O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) defendeu esta terça-feira que a situação dos trabalhadores agrícolas sazonais do concelho de Odemira, distrito de Beja, não é exclusivamente do foro criminal, alertando para a necessidade de se receber devidamente os imigrantes.

Queria de facto enfatizar e dizer que o que se passa, sobretudo nesta esfera, não é uma matéria do foro criminal. Há outras matérias que importam resolver, sobretudo de defesa de condições de pessoas que procuram o nosso país para terem melhores condições de vida", afirmou Luís Neves, em declarações aos jornalistas à margem do julgamento do processo de Tancos.

 

O imigrante, seja ele qual for, tem de ser devidamente recebido e enquadrado. Porque, se for recebido e enquadrado, o imigrante deixa de estar nas garras de quem o explora", reforçou o diretor nacional da PJ.

Luís Neves garantiu que a Polícia Judiciária está a fazer a sua parte de um trabalho que é multidisciplinar e insistiu que "normalmente a investigação criminal só tem lugar quando todas as outras violações noutras áreas ocorreram".

"O enquadramento das pessoas está mais a montante. As condições de permanência, a habitabilidade, as questões sociais, as escolas para os filhos, tudo isso está a montante de tudo isto. E, por isso, repito, não é propriamente uma matéria exclusiva do foro criminal", reiterou.

Na segunda-feira, fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) disse  que o Ministério Público de Odemira tem em curso 11 inquéritos sobre auxílio à imigração ilegal para efeitos de exploração laboral.

/ HCL