O grupo desmantelado pela Polícia Judiciária (PJ) por crimes de natureza económica que geraram danos de 10 milhões de euros comprava mercadoria sem pagar e vendia-a a preços mais reduzidos, recorrendo sempre a empresas fictícias.

A explicação foi dada hoje pelo responsável da investigação e coordenador da PJ de Leiria, Gil Carvalho, durante uma conferência de imprensa no Porto em que precisou que as mercadorias-alvo do grupo eram, sobretudo, eletrodomésticos, maquinaria e produtos alimentares.

“As empresas eram criadas ficticiamente, através de testas-de-ferro e outros. Compravam as mercadorias” sem nunca as pagar e “colocavam-nas no mercado, através de outras empresas fictícias a preços muito mais reduzidos”, explicou.

Os danos estimados por Gil Carvalho são o somatório dos prejuízos causados a quem vendeu e não recebeu, dos impostos que o Estado deveria cobrar e dos prejuízos do comércio legal, que deixou de vender devido ao “dumping”.

Como se tratava de grandes quantidades de mercadoria, os privados lesados foram sobretudo retalhistas e não consumidores finais.

O grupo foi desmantelado durante uma operação com o nome de código “Cordial Mente”.

As autoridades judiciárias de Santarém e Tomar, que tutelam esta investigação, emitiram 18 mandados de detenção e 36 de busca, que foram cumpridos em várias localidades de norte a sul do país. E, diz a PJ, o cumprimento dos mandados de detenção e das buscas domiciliárias e não domiciliárias “ocorreu em simultâneo e de acordo com o planeamento operacional previamente definido”.

De acordo com Gil Carvalho, seis dos 18 detidos constituem o núcleo duro do grupo criminoso, estando referenciados e com antecedentes criminais “por questões similares”.

Estão em causa crimes como burla qualificada, falsificação de documentos, recetação e fraude fiscal.

Além do Departamento de Investigação Criminal de Leiria da PJ, a operação “Cordial Mente” envolveu meios humanos e materiais das diretorias do Norte, do Centro e de Lisboa e Vale do Tejo, bem como dos departamentos de Investigação Criminal de Braga, Aveiro, Guarda e Unidade Local de Évora daquela polícia, num total de 170 operacionais.

Contou ainda com a colaboração dos comandos distritais de Santarém da GNR e da PSP.

A investigação prossegue “visando apurar a real dimensão patrimonial que estará em causa”, segundo a PJ.

Na conferência de imprensa, o coordenador da PJ de Leiria recordou um atropelamento de um inspetor, ocorrido no verão passado na Póvoa de Varzim, revelando agora que se tratava de um polícia envolvido, já então, na investigação deste caso.

Os detidos irão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Santarém previsivelmente na quarta-feira, para aplicação de medidas de coação tidas por convenientes, adiantou o responsável policial.