A Polícia Judiciária anunciou esta quarta-feira ter desmantelado um grupo de tráfico de droga, em Coimbra, que funcionava como uma empresa, e a constituição de 19 arguidos de uma organização que deveria faturar, no mínimo, 75 mil euros por mês.

A investigação que durou ano e meio, dada agora como concluída, levou à constituição de 19 arguidos, com idades entre os 20 e os 50 anos, permanecendo em prisão preventiva os alegados cinco cabecilhas do grupo dedicado ao tráfico de ‘crack' (cocaína solidificada em cristais) em Coimbra, informou hoje a Diretoria do Centro da PJ.

Segundo fonte da PJ, este grupo tinha "o domínio dos pontos-chave da cidade de Coimbra, não apenas na Baixa, mas também na Alta e em bairros sociais", funcionado como "uma empresa".

"Era um grupo muito organizado. Trabalhavam 24 horas por dia, com turnos, com supervisores de rua", acrescentou a mesma fonte, referindo que, após ter sido concluída a investigação e terem sido feitas as detenções, a atividade na zona do Terreiro da Erva, um dos locais principais para o tráfico, "praticamente cessou".

A PJ estima que o grupo tivesse um proveito económico, no mínimo, de 75 mil euros por mês, referiu a mesma fonte à agência Lusa, salientando que as estimativas são "muito por baixo".

Na operação, a PJ apreendeu três mil doses de ‘crack', aquando de uma transação do grupo, tendo também apreendido mais de 12.000 euros em numerário e um automóvel.

A maior parte das detenções ocorreram em novembro de 2018, quando a PJ procurou "atingir a cúpula do grupo", tendo realizado mais uma série de detenções já este ano, incidindo sobre pessoas suspeitas de colaborar com a organização num patamar inferior.

Para além dos cinco cabecilhas, todos homens, no grupo dos outros 14 detidos há também "algumas mulheres", referiu a fonte da PJ.

De acordo com a mesma fonte, suspeita-se que a rede já funcionasse "há muito tempo", referindo que um dos alegados cabecilhas já tinha sido intercetado no Porto, em 2017, na posse de 3.400 doses de ‘crack' que teriam como destino Coimbra, sendo que após ter terminado a prisão preventiva terá retomado a atividade.

"Este grupo já atuava há muitos anos e realmente tivemos que ter uma investigação feita com muita calma para se conseguir ter aqui uma série de estratégias para perceber a organização. Há um clima de intimidação dentro do grupo, com uma estrutura muito própria, e era muito difícil obter informação", afirmou a mesma fonte à agência Lusa.