A Polícia Judiciária desativou, em Coimbra, a base logística do grupo terrorista espanhol "Resistência Galega", anunciou a PJ, nesta segunda-feira.

O imóvel, que foi localizado a 9 de novembro último, era utilizado como "casa de recuo" dos terroristas, que se encontram detidos em Espanha desde junho do ano passado.

No interior da habitação, a PJ encontrou "vasto material probatório" relacionado com as atividades terroristas, entre o qual 30 kg de pólvora.

Em cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão emitido pelas autoridades judiciárias competentes, foi apreendido no interior deste espaço vasto material probatório, correlacionado com as atividades terroristas levadas a cabo por este grupo independentista, destacando-se, inúmeros utensílios utilizados na fabricação de engenhos/artefactos explosivos, nomeadamente relógios, temporizadores e telemóveis preparados como dispositivo de ativação remota de cargas explosivas; dispositivos pirotécnicos e engenhos explosivos improvisados, uma carga total de aproximadamente 30 kg pólvora, livros, apontamentos manuscritos e manifestos de propaganda dos ideais da Resistência Galega. Apreendeu-se ainda uma panela de pressão, para confinamento de carga explosiva, igual às usadas por este grupo terrorista em diferentes atentados, bem como material utilizado para falsificação de documentos, como carimbos de instituições públicas espanholas e plastificadoras a quente", descreve a Polícia Judiciária.

O imóvel em Coimbra seria a única ligação a Portugal, já que a investigação da Polícia Judiciária não identificou "qualquer outra ligação efetiva ou envolvimento direto de cidadãos nacionais na organização terrorista".

O material apreendido foi já "remetido às autoridades espanholas".

A "Resistência Galega" foi responsável, entre 2005 e 2011, por mais de 35 ataques com explosivos em diferentes zonas de Espanha. 

Estes ataques não causaram vítimas mortais, mas provocaram avultados danos materiais em diversos edifícios públicos e privados, tais como sedes de partidos políticos e agências bancárias.

Em 2014, o grupo independentista foi considerado terrorista pelo Supremo Tribunal de Justiça espanhol.

Os líderes desta organização viviam na clandestinidade e só em junho de 2019 foram detidos pelas autoridades espanholas, encontrando-se, neste momento, a aguardar julgamento.

A investigação foi desenvolvida pela Polícia Judiciária, em articulação com o DIAP Regional de Coimbra, "no quadro de uma operação policial da Unidade Nacional Contra Terrorismo, da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária, integrando peritos do Laboratório de Polícia Científica, e em estreita cooperação com a Guardia Civil".

Catarina Machado