A Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) estão a fazer buscas na Comissão Distrital de Lisboa do PSD e na Concelhia de Lisboa do PS, situada na sede da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS, sabe a TVI24.

Em comunicado, a Procuradoria Distrital de Lisboa revela que "no âmbito de inquérito em que se investigam crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido, foram realizadas cerca de 70 buscas domiciliárias e não domiciliárias, incluindo buscas a escritórios de advogados, autarquias, sociedades e instalações partidárias, em diversas zonas geográficas de Portugal Continental e Açores, envolvendo a presença de três juízes de instrução, doze magistrados do Ministério Público, peritos informáticos e financeiros e inspectores da Polícia Judiciária em número que ascende a cerca de 200".

A mesma nota informa ainda que "segundo os fortes indícios recolhidos" foi possível apurar que "um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político, desenvolveram entre si influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas".

Fonte oficial do PS confirmou à Lusa que a PJ e o Ministério Público se deslocaram esta manhã à sede do partido e à concelhia de Lisboa.

"O PS colaborou em tudo o que lhe foi solicitado pelas autoridades", referiu à agência Lusa fonte oficial dos socialistas.

Fonte do PSD disse à Lusa que que estão a ser realizadas buscas na distrital de Lisboa e nas juntas de freguesia de Santo António, Estrela e Areeiro.

Segundo a mesma fonte, estão em investigação alegados “favorecimentos a militantes” do partido, “através de ajustes diretos”, para a contratação de pessoal e a adjudicação de serviços a empresas ligadas ou controladas por dirigentes políticos.

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, Fernando Braamcamp (PSD), confirmou que foi avisado pelo tesoureiro da autarquia de que a PJ estava na junta “a ver contratos”.

“Estou agora a dirigir-me para lá. A documentação é pública, não há nada a esconder”, disse, às 10:15.

A investigação é coordenada pelo Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa. Até ao momento ninguém foi detido e não há previsão que vá ser.

Direção do PSD sem medo de investigação

O secretário-geral do PSD, José Silvano, revelou que inspetores da Polícia Judiciária estão ainda na sede nacional do partido e assegurou que a atual direção “não tem medo” de qualquer investigação “doa a quem doer”.

Em conferência de imprensa na sede do PSD, em Lisboa, sobre a operação de buscas que a Polícia Judiciária realizou em todo o país, incluindo a autarquias, sociedades e instalações partidárias, José Silvano frisou que a investigação que está a decorrer incide “sobre factos anteriores à eleição deste líder e desta direção”.

Quando assumimos a direção do partido, Rui Rio e eu próprio assumimos publicamente estes princípios: não tínhamos medo de nada de ninguém, o mandato para que fomos eleitos teria como foco principal o combate à corrupção, compadrios e falta de transparência na vida política e nunca colocaríamos quaisquer obstáculos à procura da verdade, doesse a quem doesse”, sublinhou.

Por essa razão, quando foi “surpreendido” com um mandado de busca na sede nacional do PSD – onde estão consolidadas as contas de todas as estruturas do partido – o partido disponibilizou “todos os documentos pedidos e espaços para consulta sem quaisquer restrições”, numa operação que ainda decorre na sede da São Caetano à Lapa.

Sobre consequências internas, José Silvano recusou pronunciar-se sobre pessoas e casos concretos – dizendo que a comunicação social parece ter mais informações do que o PSD – e salientou que estas só poderão vir a acontecer caso haja uma sentença com trânsito em julgado.

 

Cláudia Rosenbusch / com Lusa - Notícia atualizada às 13:17