O dirigente da associação SOS Racismo Mamadou Ba esteve, esta quarta-feira, a prestar declarações na Polícia Judiciária, após membros da associação terem recebido ameaças e o movimento “resistência nacional” ter realizado uma concentração junto à sua sede, confirmou a Lusa junto de fonte policial.

A Polícia Judiciária está a investigar o caso e está a preparar duas queixas-crime por causa das ameaças a duas deputadas do Bloco de Esquerda visadas num email que foi enviado a dez pessoas.

Beatriz Dias e Mariana Mortágua vão mesmo apresentar queixa ao Ministério Público (MP) na sequência de ameaças recebidas no email dirigido à associação SOS Racismo.

“O Bloco deu imediatamente conhecimento [do email] à PJ [Polícia Judiciária], as duas deputadas do Bloco irão apresentar queixa ao Ministério Público”, disse à Lusa fonte oficial do BE.

As deputadas do Bloco de Esquerda visadas no ‘email’ são Beatriz Gomes Dias e Mariana Mortágua, mas a deputada não inscrita (ex-Livre) Joacine Katar Moreira também é visada, tal como o dirigente do SOS Racismo Mamadou Ba e Jonathan Costa, da Frente Unitária Anti-Fascista, entre 10 cidadãos.

A TVI teve acesso ao email enviado pelo “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional” onde constam os nomes de Beatriz Gomes, Danilo Moreira, Joacine Katar Moreira, Mamadou Ba, Jonathan Costa, Rita Osório, Vasco Santos, Luís Lisboa, Melissa Rodrigues e Mariana Mortágua.

"Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e anti-racistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português. Sendo o prazo ultrapassado, medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português. O mês de Agosto será mês da luta contra os traidores da nação e seus apoiantes. O mês de Agosto será o mês do reerguer nacionalista", pode ler-se na mensagem assinada pelo NOA-RN.

Com data de 11 de agosto, a mensagem de correio eletrónico foi enviada, a partir de um endereço criado num ‘site’ de ‘e-mails’ temporários, para o SOS Racismo e é assinada por “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, a mesma designação de um grupo que reclamou, na rede social Facebook, ter realizado, de cara tapada e tochas, uma “vigília em honra das forças de segurança” em frente às instalações da SOS Racismo, em Lisboa, e que um dos dirigentes desta associação, Mamadou Ba, classificou como “terrorismo político”.

Tentativa de intimidar deve ser "veementemente" condenada

O Livre defendeu, na quarta-feira, que deveria ser “veementemente condenada” qualquer tentativa de “silenciar ou intimidar ativistas, políticos ou qualquer outra pessoa”, na sequência de ameaças que elementos da associação SOS Racismo e deputadas receberam.

“É imperativo que todas as forças políticas democráticas repudiem estes ataques fascistas, e que seja veementemente condenada qualquer tentativa de silenciar ou intimidar ativistas, políticos ou qualquer outra pessoa, com base no racismo, homofobia, na xenofobia ou em qualquer outra forma de discriminação”, explicita um comunicado divulgado pelo partido.

O Livre também faz um apelo para que todas as forças políticas democráticas “se juntem no combate antifascista e antirracista”, advogando que está em causa a “defesa da democracia e da liberdade”.

“O ataque dirigido a deputadas nacionais, sindicalistas, militantes antifascistas e antirracistas e outros ativistas e políticos é vil, sem lugar numa sociedade plural e democrática”, acrescenta a nota.

. / AM - notícia atualizada às 00:31