A Polícia de Segurança Pública fez 40 mil contactos periódicos com vítimas de violência doméstica em 2018 e acompanhou mais de quatro mil a seu pedido, divulgou esta quinta-feira o diretor nacional daquela força de segurança.

Luís Farinha falava na abertura da conferência "Violência doméstica – Política criminal e perspetivas de reforma", que decorre hoje na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e onde foi realizado um minuto de silêncio em memória das vítimas de violência doméstica.

Segundo o diretor nacional da PSP, existe uma tendência de estabilização do número de participações efetuadas à PSP no contexto deste crime nos últimos sete anos, mas o universo de casos participados a esta força de segurança ainda se situa nos 14.500, “o que tem exigido a massificação da formação especializada nesta área e a disponibilização permanente de recursos humanos dedicados e especializados para estes casos".

A PSP e a GNR receberam 26.439 queixas de violência doméstica em 2018, menos 1,1% do que em 2017, de acordo com dados avançados hoje à Lusa pelo Ministério da Administração Interna (MAI).

Ainda segundo Luís Farinha, a PSP com 641 profissionais dedicados a esta realidade reforçou o patrulhamento junto das residências de mais de 13 mil vítimas sinalizadas, e patrocinou a teleassistência a 3.619 vítimas.

Em 2018 a PSP fez ainda 598 detenções por crime de violência doméstica, 500 das quais contra cônjuges ou análogos, apreendeu 1.435 armas na sequência de denúncia da prática de violência doméstica e elaborou mais de 29 mil planos de segurança de vítimas.

Na abertura da conferência, Luís Farinha explicou que o caminho da PSP neste domínio tem sido na formação especializada dos seus efetivos, na proximidade com as populações e na aposta na prevenção.

Estamos conscientes que os desafios em matéria criminal são muitos e variados exigindo uma permanente colaboração entre as diferentes entidades, porque só assim é possível aplicar as medidas mais adequadas e que as vítimas esperam de nós”, disse.