O Conselho Económico e Social apresentou um novo manual de linguagem para tornar a comunicação interna e externa mais neutra e inclusiva. O documento dá vários exemplos que passam nomeadamente por evitar o género masculino, em nome da promoção da igualdade entre homens e mulheres.

Sara Falcão Casaca, socióloga e uma das autoras da proposta para uma linguagem neutra e inclusiva, esteve, esta terça-feira, no programa O Dilema, onde explicou a necessidade da existência deste documento, que, sublinha, “ainda se encontra em consulta” e está longe de estar fechado.

Sempre numa perspetiva de recomendação e numa de tornar este documento de uso obrigatório. É apenas uma recomendação ao uso da linguagem mais inclusiva”, explicou.

Helena Matos, colunista do Observador, começou por enumerar dos diversos conselhos e órgãos do Estado para afirmar que seria inconcebível que cada um deles tecesse manuais sobre como devemos comunicar.

São as palavras que geram atos. Nós usamos as palavras para nos relacionarmos e não para construirmos realidades”, afirmou. “Isto não tem qualquer colagem à realidade.”

Questionada sobre se este tipo de documentos produz o efeito desejado, a comentadora da TVI Maria João Marques sublinha que a linguagem é importante e capaz de moldar a realidade e a forma como olhamos para o que nos rodeia.

A comentador sublinhou que essa situação é particularmente visível no que toca ao “enviesamento” da sociedade para com os homens, onde todas as construções são, por defeito, no masculino.

É terrível como o mundo é construído por defeito para os homens”, frisou.

Para Joana Amaral Dias, a questão da linguagem inclusiva e “do politicamente correto” parte sempre de uma boa intenção. “Temos um histórico de várias formas de exclusão”, relembrou.

A linguagem é a casa do ser, e sim, influencia a forma como pensamos, mas eu gosto de olhar para os resultados", disse.

Redação / JGR