Autocarros e lareiras responsáveis pela poluição a Norte - TVI

Autocarros e lareiras responsáveis pela poluição a Norte

Lareira

No caso das lareiras, elevado preço da eletricidade e gás poderá estar na origem do aumento do consumo de lenha para uso doméstico

Os setores dos transportes rodoviários e doméstico, designadamente a queima de lenha em lareiras, são os principais responsáveis pela emissão de poluentes que representam maiores problemas para a qualidade do ar na região Norte, noticia a agência Lusa.

De acordo com o Inventário de emissões de poluentes atmosféricos na região Norte, referente aos anos de 2010 e 2011, apresentado esta quinta-feira pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), a queima de lenha nas lareiras tem um peso significativo na emissão de monóxido de carbono (CO) e de partículas em suspensão (PM10).

Francisco Ferreira, docente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, responsável pelo estudo, afirmou aos jornalistas ser possível relacionar a crise com os dados obtidos neste trabalho.

«No setor doméstico, é o uso da lenha que está a ter uma contribuição, eu diria crescente», para a emissão de poluentes atmosféricos, «porque está a substituir em alguns casos outros usos de eletricidade ou gás», justificou.

De acordo com o Inventário, de 2010 para 2011, «houve um aumento no consumo de lenha para aquecimento», sendo as sub-regiões de Alto Trás-os-Montes, Tâmega e Grande Porto as que «encabeçam a lista com maiores emissões de poluentes atmosféricos» devido a esta utilização da lenha.

«Os concelhos do litoral apresentam taxas de consumo de lenha inferiores às do interior, mas é no litoral que existem mais habitações, sendo esse o fator determinante na emissão de poluentes no setor doméstico», refere o estudo.

Quanto ao setor dos transportes rodoviários, disse, «a crise aqui está a funcionar um pouco de forma inversa, [porque] o tráfego está a ter um pouco menos de peso, mas mesmo assim é extremamente significativo» no que diz respeito às emissões de poluentes.

Segundo Francisco Ferreira, «estes dois fatores vão fazer com que algumas zonas, em termos de qualidade do ar, tenham valores extremamente elevados e isso é um prejuízo direto para a saúde das pessoas e para a produção de outros poluentes secundários, como é o caso do ozono».

O vice-presidente da CCDR-N, Álvaro Carvalho, salientou que depois de ser feita esta «quantificação de poluentes lançados para a atmosfera em 2010 e 2011» nos 86 concelhos da região, é agora possível «definir planos e iniciativas» que permitam contribuir para a melhoria da qualidade do ar.

Francisco Ferreira destacou como soluções a substituição de lareiras por recuperadores de calor, que permitiria levar a uma redução da emissão de partículas e das quantidades de lenha utilizada.

«Essa é uma medida que daqui sobressai como sendo uma estratégia a seguir», disse, acrescentando que as emissões de partículas pelas lareiras são «o poluente que à escala europeia e mundial está a levantar maiores preocupações em termos de saúde».

Relativamente ao setor dos transportes rodoviários, o docente considerou ser necessário «continuar o investimento no transporte público».

«Há decisões que dizem respeito a cada um de nós, [mas há] outras à escala regional e nacional», que podem ser tomadas para «diminuir o peso da poluição atmosférica».

Este estudo permitiu concluir que, apesar de não se ter verificado uma variação significativa das emissões entre 2010 e 2011, registou-se uma tendência geral de ligeira diminuição das mesmas no último ano para todos os poluentes avaliados.

Em 2011, o valor total de emissão de partículas inaláveis (PM10) na região Norte foi de cinco mil toneladas, tendo o setor doméstico um peso de 65%.

No mesmo ano, o total de emissão de monóxido de carbono (CO) foi de 102 mil toneladas, sendo o setor dos transportes rodoviários aquele que mais contribuiu para este valor (63%).
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