A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelou que tem “reforçado” no rio Douro o número de massas de água monitorizadas quanto ao estado químico, aquele que permite avaliar a poluição da água, segundo uma organização não governamental (ONG).

A APA assegura que a percentagem de massas de água monitorizada na bacia hidrográfica do Douro “é superior a dois terços”, que em 2019 fez “um forte investimento” no número de estações monitorizadas” e que, “no que se refere ao estado químico, e através de vários projetos de âmbito nacional, tem-se reforçado o número de massas de água monitorizadas”.

A APA acrescenta que “algumas massas de água não apresentam pressões que justifiquem uma monitorização do estado químico”, depois de a Rede Douro Vivo, liderada pela ONG GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, ter denunciado que o estado químico de “mais de 60%” do Douro é desconhecido por insuficiência da rede de monitorização.

Para a Rede Douro Vivo, a ausência de uma rede de monitorização plena torna difícil determinar a “escala e origem” da poluição da “maior bacia hidrográfica do país e da maior da Península Ibérica em termos de área”.

A APA refere-se apenas à rede de monitorização sem apontar dados sobre a poluição do Douro e, questionada novamente pela Lusa sobre o assunto, não respondeu até ao momento.

O que a APA destaca é que “efetuou nos últimos anos um forte investimento nas redes de monitorização”, o que resultou num “aumento significativo do número de massas de água monitorizadas relativamente ao ciclo anterior”.

Até 2018 foram monitorizadas cerca de 75% de massas de água, sublinha a APA.

“Somente em 2019, e no âmbito de dois projetos POSEUR, estão a ser monitorizadas mais de 500 estações, localizadas em massas de água superficiais interiores, em águas de transição e em águas costeiras”, observa.

Na terça-feira, Ana Brasão, coordenadora da Rede Douro Vivo, disse à Lusa que “não tem sido uma prioridade política a monitorização do estado químico” da água dos rios, nomeadamente do Douro, o que dificulta a perceção sobre a “poluição provocada por metais pesados ou carga orgânica – de estações de tratamento de águas residuais [ETAR], por exemplo”.

“Isto é muito grave num rio. Sabemos que há muitos casos de poluição, por denuncias que nos chegam, mas não é possível determinar a verdadeira escala [do problema] ou origem”, alertou.

“Monitoriza-se o estado ecológico dos rios, mas a rede de monitorização do estado químico não está a funcionar devidamente”, lamentou.

Em setembro, a associação ambientalista Quercus defendeu mais fiscalização à atividade das embarcações turísticas que operam no rio Douro, devido a alegadas descargas ilegais de materiais poluentes que “contribuem para a poluição do rio e provocam erosão nas margens”.

Na ocasião, João Branco, da direção nacional da Quercus, referiu que várias ocorrências deixaram “sérias dúvidas” quanto à eficácia dos sistemas de recolha e tratamento dos esgotos e das águas sanitárias das embarcações turísticas que operam na Via Navegável do Douro (VND).