A Casa da Música, no Porto, recuou na decisão de dispensar assistentes de sala e questionou seis destes profissionais se “teriam ainda disponibilidade” para trabalhar durante o mês de junho, anunciou hoje um dos funcionários.

Após a dispensa de assistentes de sala da Casa da Música, a 1 de junho, todos eles subscritores de um abaixo-assinado em defesa dos pagamentos a trabalhadores precários, foram vários os que questionaram o motivo da dispensa, por 'email', sem obterem resposta. Os mesmos foram surpreendidos quatro dias depois [sexta-feira] com um novo 'email' da Casa da Música, dando o dito por não dito e questionando se teriam ainda disponibilidade para trabalhar nos dias e horários previamente agendados”, refere um comunicado, enviado por Hugo Veludo.

Este funcionário conta que “não foi dada qualquer justificação para a dispensa ou para o recuo na dispensa”, acrescentando que a decisão do grupo de pessoas que recebeu este 'email' (seis trabalhadores) foi a de “responder em uníssono, expressando a necessidade de um esclarecimento quanto às medidas de que tinham sido alvo e demonstrando a vontade de ouvir e de serem ouvidos”.

A agência Lusa contactou a Casa da Música, que optou por não fazer comentários.

Na resposta enviada ao superior hierárquico (coordenador), estes seis funcionários congratularam-se com a decisão, mas solicitaram esclarecimentos por parte da Casa da Música, pedindo “uma reunião presencial com a administração/direção” para que seja clarificada a sua situação contratual, “sem prejuízo das reivindicações” que têm assumido quanto aos trabalhos cancelados e aos vínculos contratuais.

É do nosso interesse continuar a trabalhar na Casa da Música, e é precisamente essa a luta que temos vindo a empreender. Não só trabalhar, como sermos tratados com dignidade e não estarmos sujeitos a este tipo de decisões incompreensíveis. A receção de dois 'emails' em sentido inverso, no espaço de menos de uma semana, não nos dá garantias de que não ocorram novas mudanças de intenções. Temos necessidade de ouvir e [de] ser ouvidos, para clarificar o assunto e tomarmos uma decisão informada”, lê-se no 'email' enviado ao coordenador por estes seis funcionários.

Contactado pela Lusa, Hugo Veludo deu conta de que, na sequência do 'email' enviado ao coordenador, os seis trabalhadores receberam hoje uma convocatória para uma reunião na Casa da Música, na segunda-feira, 15 de junho, pelas 15:00, a qual não indica com quem será, ou quais serão os interlocutores da Casa da Música, no encontro.

Hugo Veludo explicou que apenas oito dos 15 assistentes de sala que subscreveram o abaixo-assinado estavam escalados para o mês de junho, sublinhado que dois acabaram por se demarcar da iniciativa de protesto.

Quanto aos restantes sete dos 15 trabalhadores, só no fim de junho é que se vai perceber o que é que lhes vai acontecer, pois o planeamento, explicou Hugo Veludo, é feito mensalmente.

Este assistente de sala mostrou-se “surpreendido” pela dispensa anunciada no início de junho, mas “mais surpreendido ainda” ficou pelo 'volte-face' da Casa da Música, atribuindo este recuo a “alguma pressão da comunicação social”.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, disse que a ministra da Cultura, Graça Fonseca, pediu naquele dia "informações" sobre o que se estava a passar na Casa da Música, no Porto, onde funcionários com vínculo precário foram dispensados.

Também nesse dia, a comissão parlamentar de Trabalho e Segurança Social aprovou o requerimento do Bloco de Esquerda para ouvir, com urgência, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), representantes dos trabalhadores e a administração da Casa da Música, disse à Lusa o deputado bloquista José Soeiro.

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