A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) deu luz verdade à alteração do projeto de requalificação do Mercado do Bolhão, no Porto, cujo método construtivo implica a demolição das galerias, revelou esta segunda-feira aquele organismo.

Em resposta à Lusa, a entidade que tutela o património refere que, sob informação devidamente fundamentada da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), aprovou em 27 de março um aditamento à intervenção "que proponha o desmonte de alguns elementos metálicos (colunas, varandas e consolas da cobertura) e a demolição de três, das quatro lajes existentes de betão das galerias superiores do mercado".

Para a tomada de decisão, constituíram fatores relevantes, "o elevado estado de degradação dos elementos metálicos (que serão reparados em oficina e recolocados nos sítios originais) e das lajes de betão".

De acordo com a DGPC, neste último caso, e segundo parecer técnico independente da Universidade de Aveiro e do Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), "face às atuais anomalias verificadas no local (oxidação, corrosão avançada, fissuração e destacamentos vários), a sua reparação culminaria na substituição quase integral dos seus elementos, comprometendo, à partida, a sua integridade e autenticidade".

O referido parecer técnico concluiu que "a galeria existente em betão armado deverá ser demolida e substituída por uma nova estrutura (também em betão armado)", na condição da sua reconstrução respeitar de forma detalhada o desenho e secções do projeto original.

Essa situação ficou acautelada através da entrega de um levantamento arquitetónico minucioso das referidas galerias", assegura a Direção-Geral do Património Cultural.

No dia 20 de dezembro de 2019, a Câmara do Porto anunciou que as obras de requalificação do Mercado do Bolhão, cujo término estava previsto para maio deste ano, iriam ser prolongadas por mais um ano, devido à necessidade de alterar "o método construtivo", que implicaria a demolição e reconstrução total das galerias superiores, cujo estado de degradação, afirmava a autarquia, "era, afinal bastante mais grave do que era possível apurar a partir dos estudos preliminares".

Numa declaração lida, o presidente da autarquia, Rui Moreira, explicou que caso as galerias se mantivessem intactas durante toda a obra, como estava inicialmente previsto, a abordagem que proposta "seria impossível", a construção da cave "ficaria comprometida, mais morosa e menos segura" e "seria mais cara e demoraria mais tempo, atirando a conclusão do restauro para dezembro de 2021".

O Ministério Público (MP) está a investigar desde agosto de 2016 "a existência de um eventual crime no processo de reabilitação" daquela estrutura, na sequência de uma participação que o arquiteto Joaquim Massena, autor de um projeto de requalificação de 1998, apresentou no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto.

A empreitada de restauro e modernização do Mercado do Bolhão foi adjudicada ao agrupamento Alberto Couto Alves S.A. e Lúcio da Silva Azevedo & Filhos S.A. por mais de 22 milhões de euros, tendo sido "consignada oficialmente" a 15 de maio de 2018, prevendo-se um prazo de dois para a conclusão dos trabalhos.

/ publicado por Rafaela Laja