Os trabalhadores do Terminal XXI, no porto de Sines (Setúbal), estão em greve desde segunda-feira para exigir aumentos salariais e a reintegração de 80 trabalhadores que não renovaram contratos com a empresa PSA Sines.

Em novembro do ano passado pedimos aumentos, mas a empresa pensou que os aumentos salariais deviam ser acompanhados por uma série de regras e de alterações ao acordo de empresa e é essa exigência que tem esticado este processo”, explicou hoje à agência Lusa Joaquim Palheiro, presidente do sindicato XXI, que convocou a paralisação.

A greve, às últimas três horas de cada turno, tem a duração de 13 dias, estando previsto terminar às 00:00 do dia 24 deste mês, indicou o sindicato, que fala numa “adesão de 95%” nos dois primeiros dias da paralisação.

“Temos sido responsabilizados pelos prejuízos devido às greves, mas não referem o derrame que ocorreu [em abril deste ano] no terminal que obrigou à paragem do porto quase 20 dias e para esta situação não há culpados, nem se consegue justificar”, sublinhou.

De acordo com o dirigente do sindicato, que representa os trabalhadores portuários do Terminal de Contentores, concessionado à empresa PSA Sines, as tabelas salariais “foram acordadas com facilidade”, mas “dias depois a empresa apresentou novas exigências”, relacionadas com o acordo de empresa.

Tudo o que esteja relacionado com as tabelas salariais, estamos na disposição de discutir. E, só depois de as tabelas estarem em vigor, podemos avançar com a revisão do acordo de empresa que tem de ser feita”, afirmou.

Reconhecendo que “o grau de exigência” do sindicato “foi alto”, Joaquim Palheiro adiantou que, durante as negociações, foi possível acordar um aumento automático de "7% ao ano”.

O problema reside no facto de a empresa ter anexado à tabela, alterações ao acordo de empresa com uma série de agravantes que são prejudiciais para os trabalhadores”, acrescentou.

Por seu lado, em comunicado, a empresa PSA Sines refere que “o aumento anual automático de 7% continua a ser algo de muito positivo” e atribui ao sindicato “novas e adicionais exigências” que “foram impossíveis de aceitar”.

À agência Lusa, fonte da PSA Sines adiantou que a empresa “respondeu que concordava com esta proposta na sua totalidade, mas, depois de ter aceite a proposta, surgiram novas exigências por parte do Sindicado XXI, sendo que algumas conseguiram acomodar, mas outras foram impossíveis de atender”.

Além dos aumentos salariais, o sindicato exige ainda a “reintegração dos 80 trabalhadores dispensados pela PSA/Laborsines nos meses de junho e julho” e acusa a empresa de agravar o conflito “com o despedimento de mais 25 trabalhadores”.

“Os contratos destes trabalhadores não foram renovados” devido “à quebra acentuada de volume” da carga, motivada “por diversas ocorrências, desde questões meteorológicas, de operação e de instabilidade social”, esclareceu a mesma fonte da PSA Sines.

“Como consequências deste conjunto de situações, os movimentos efetuados no Terminal XXI estão 25% abaixo do planeado, o que resultou na necessidade de ajustar o número de trabalhadores a contrato”, explicou a empresa que emprega perto de mil trabalhadores e é atualmente o maior empregador privado do litoral alentejano.

O “impacto de duas greves” em 2019, no Terminal XXI, faz com que “mais movimentos sejam redirecionados para outros terminais na região”, sustenta a PSA Sines em comunicado.