Graça Freitas fez vários apelos à população jovem, relativamente ao comportamento que esta tem mantido durante a fase desconfinamento. Na conferência de imprensa diária sobre a situação epidemiológica no país, a diretora-geral da Saúde deixou claro que "não se podem continuar a tolerar comportamentos que ponham em causa a saúde pública".

Questionada sobre os casos ativos na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde o aumento de novos casos tem sido, nos últimos dias, superior em relação ao resto do país, Graça Freitas referiu que nos últimos dias se tem assistido a vários aglomerados em espaços públicos e que esse tipo de atividades é desaconselhado. 

Há uma tendência para aliviar o comportamento e nós temos dito repetidamente e temos de voltar a dizer: a única forma deste vírus não se transmitir é nós evitarmos o contacto físico próximo, os aglomerados de pessoas e melhorar esta proteção com a utilização de máscaras em determinadas circunstâncias", afirmou. 

Relembrou que apesar dos jovens apresentarem, na sua maioria, uma doença ligeira ou pouco grave, "isto não é uma constipação" e apelou para que "mesmo tendo a doença ligeira, podem transmitir o vírus a grupos de risco, podem transmitir a pessoas mais idosas e, portanto, vão perpetuar a transmissão"

Graça Freitas explicou ainda que os grandes focos de infeção de Lisboa e Vale do Tejo se registam em lares, trabalhadores da construção civil, empresas e alguns bairros sociais.

Temos seis grandes obras que concentraram cerca de 130 doentes relacionados com essas obras, não quer dizer que todos tenham contraído a infeção na obra, podem ter contraído noutro sítio e depois ter transmitido na obra. Temos também cerca de 340 casos identificados em empresas, relacionados sobretudo com o polo na Azambuja. Surtos e casos relacionados com lares, surtos e casos relacionados com diversos bairros e depois temos obviamente a circulação comunitária e temos imensas situações de transmissão em ambiente habitacional", acrescentou. 

Segundo os últimos dados, na região de Lisboa e Vale do Tejo há cerca de 4.400 doentes ativos entre os 10.643 casos confirmados desde o início da pandemia, sendo que a maioria dos doentes (cerca de 5.700) já recuperou.

Serviço Nacional de Saúde reforçado com 3.000 profissionais

António Lacerda Sales anunciou que as equipas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), no âmbito da Covid-19, foram reforçadas com a contratação de cerca de 3.000 profissionais das diferentes especialidades.

Foram contratados no âmbito ao combate à Covid-19 cerca de 3.000 profissionais de saúde (…). Estamos mais capacitados, mais preparados, com maior resposta no SNS quer para atividade covid, quer para atividade não covid. Temos de continuar este caminho, vamos com certeza continuar a percorre-lo”, disse.

De acordo com o governante, “foram contratados 125 médicos, mais de 900 enfermeiros, 205 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e mais de 1.350 assistentes operacionais”.

O secretário de Estado da Saúde defendeu que quando Portugal se prepara para entrar na terceira fase de desconfinamento “a liberdade é diretamente proporcional à responsabilidade”.

Estamos prestes a entrar na terceira fase do desconfinamento, o que nos compromete ainda mais a todos. A nossa liberdade é diretamente proporcional à nossa responsabilidade”, destacou.

Numa nota final, Lacerda Sales aproveitou para deixar uma mensagem de agradecimento a todos os órgãos de comunicação social pelo trabalho feito ao longo dos últimos três meses. 

Têm estado sempre connosco aqui todos os dias", disse. 

Portugal contabiliza 1.383 mortos associados à Covid-19 em 31.946 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde divulgado na quinta-feira.

Cláudia Évora / com Lusa - atualizada às 15:38