Portugal vai registar nos próximos dias, pelo menos até quarta-feira, um "cocktail meteorológico" que pode dar origem a "fogos com uma progressão muito rápida e que rapidamente ficam fora da capacidade de combate dos meios que são lançados". Este cocktail junta vento, tempo quente e seco e ainda trovoada. 

Quem o disse foi o adjunto nacional de operações da Proteção Civil Pedro Nunes, no briefing desta segunda-feira, onde alertou para um "aumento muito significativo" do risco de incêndio, com maior expressão no Centro e Norte. 

O que o IPMA nos tem dito, e que nos transmitiu no briefing que fizemos hoje de manhã, é que é muito provável que no território nacional possam ocorrer trovoadas, fruto da instabilidade atmosférica que está prevista ocorrer quer durante a tarde de hoje, quer durante o dia de amanhã."

 

Portanto, eu diria que temos aqui um cocktail meteorológico que em nada vai favorecer as forças de combate que estão no terreno", acrescentou. 

Por esta razão, a recomendação da Proteção Civil é clara: "Nos próximos dois dias, até quarta ou quinta feira, tolerância zero ao uso do fogo. Esta é a mensagem chave que queremos passar a todas as pessoas"

Foram preposicionados meios em Macedo de Cavaleiros, Vila Real, Castelo Branco, Loulé e em Barranco do Velho com o objetivo de reforçar os dispositivos que fazem parte destes territórios. 

Foi ainda elevado o estado de alerta especial, “quer para o nível amarelo, quer para o nível laranja”, em todo o território nacional.

Segundo a Proteção Civil, está previsto que a partir de quinta ou sexta-feira o "perigo meteorológico decresça de forma muito considerável" e só assim as pessoas que trabalham no mundo rural e florestal poderão retomar a sua atividade. 

"Não há nenhum incêndio em curso preocupante"

Desde sexta-feira até às 12:00 desta segunda-feira, foram registados aproximadamente 300 incêndios rurais, tendo sido o de Salvaterra de Magos, em Santarém, e o de Tavira, em Faro, aqueles que mais preocuparam as autoridades. 

Neste momento, não temos nenhuma situação em curso que nos cause preocupação. Portanto, não há nenhum incêndio em curso preocupante", assegurou. 

Paralelamente, Pedro Nunes confirmou que foram feitas detenções ligadas a incêndios. “Temos informação de algumas detenções. Aliás, foi hoje mencionada essa questão pelo nosso oficial de ligação da GNR. Há algumas detenções que foram realizadas nos últimos dias, não sei precisar o número nem as zonas em concreto. Mas, sim, houve detenções que foram concretizadas, quer pela GNR, quer pela Polícia Judiciária”, observou.

Cláudia Évora