Discute-se, não só em Portugal, a administração da terceira dose da covid-19. Existem países, como Israel, que já estão a fazê-lo há várias semanas. O governo dos Estados Unidos quer começar em setembro, abrangendo os que receberam a segunda oito meses antes.

Por cá, os especialistas parecem estar em concordância. Num debate na TVI24, o médico Ricardo Baptista Leite defendeu que a terceira dose deve ser equacionada, mas, numa primeira fase, apenas à população mais velha e/ou vulnerável. 

As notícias boas de Israel é que as vacinas funcionam, objetivamente e indiscutivelmente. Quem está vacinado está mais protegido de doença grave e de morte. (...) Por outro lado, há uma notícia preocupante, que é claramente a diminuição da capacidade de resposta perante o vírus, nomeadamente da variante Delta, nos grupos mais velhos ou em pessoas com situação de risco". 

Assim, o especialista conclui dizendo que a terceira dose "não faz sentido na população em geral", mas sim "nos grupos de risco", para se evitar internamentos em enfermaria e em cuidados intensivos.  

Na mesma linha, o virologista Pedro Simas defende que, para já, Portugal não devia vacinar a população em geral, lembrando que a circulação endémica do vírus mantém a imunidade de grupo.

Os EUA têm praticamente metade da população não vacinada. Portugal está de parabéns e talvez seja necessário reforçar a vacinação nos grupos de risco, nomeadamente utentes de lares", explica, acrescentando que "esta obsessão com a infeção neste momento é prejudicial" na medida é a circulação endémica do vírus que mantém a imunidade de grupo.

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Na semana passada, o primeiro-ministro garantiu que Portugal tem doses suficientes caso se decida administrar uma terceira dose da vacina contra a covid-19 na população mais vulnerável. No entanto, ressalvou que essa decisão ainda não esta tomada.

Recorde-se que Israel foi um dos primeiros países a começar uma campanha massiva de vacinação, em meados de dezembro de 2020, através de um acordo com a Pfizer, que distribuiu milhões de doses em troca de informações sobre a eficiência e eficácia da vacina na população.