A diretora-geral da Associação Salvador afirmou esta quarta-feira que as pessoas com deficiência estão a ser esquecidas no plano de vacinação contra a covid e defendeu que as autarquias e juntas de freguesia façam levantamento para conhecer necessidades destas pessoas.

No dia em que se assinala o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, Mariana Lopes da Silva lembrou que se trata de um grupo de “alto risco” que “deveria estar num dos primeiros públicos a ser vacinado”, quando o Governo se prepara para anunciar o plano de vacinação contra a covid-19.

Em relação à vacina, fala-se dos idosos e de outros públicos, mas ainda ninguém falou das pessoas com deficiência, que são público de risco, e de quando chegará a vacina para eles”, apontou, sublinhando que as pessoas com deficiência têm-se “sentido um bocadinho desacompanhadas neste momento porque têm falta de respostas”.

Deu como exemplo algumas pessoas que não estão a ir à escola ou a frequentar as instituições habituais, sublinhando que “acaba por haver poucas soluções”.

Por outro lado, defendeu que as juntas de freguesia e as câmaras municipais façam um levantamento das pessoas que se encontram mais isoladas, não só os idosos, mas também das pessoas com deficiência, procurando saber de que tipo de apoios precisam.

Ninguém melhor do que estas entidades para criar este tipo de resposta, sobretudo alimentar, porque têm proximidade física e melhor capacidade para identificar”, disse a responsável.

Relativamente aos efeitos que a pandemia tem tido junto das pessoas com deficiência, Mariana Lopes da Silva referiu que a associação tem sentido que os projetos estão a demorar mais tempo a avançar, o que aumentou o problema do isolamento destas pessoas.

Temos um projeto de integração profissional de pessoas com deficiência com muitos processos bem encaminhados que ficaram adiados. Se as pessoas estavam isoladas (…) neste momento encontram-se ainda mais isoladas”, apontou.

Para combater esse isolamento, a Associação Salvador criou uma linha de apoio psicossocial, não só para receber chamadas e dar apoio psicológico, mas também para fazer proativamente chamadas para todas as pessoas que a associação apoiou no ano passado, para perceber em que situação se encontram e quais as suas necessidades.

De acordo com a diretora-geral da Associação Salvador, a instituição apoia diretamente todos os anos cerca de 400 pessoas com deficiência, sendo que destas 250 foram apoiadas através da linha de apoio psicossocial e dentro deste grupo houve ainda 15 que precisaram de receber cabazes alimentares.

Continuamos a receber pedidos com frequência e prevemos que o número venha a aumentar”, sublinhou.

Esta quarta-feira, começam as candidaturas ao programa Ação Qualidade de Vida 2021, que vai na sua 14.ª edição, e conta com um orçamento de 130 mil euros para apoiar pessoas com deficiência e falta de recursos financeiros, nas áreas da formação e emprego, obras em casa e equipamentos desportivos.

Estas três categorias existem porque na realidade são as áreas onde existem poucos apoios por parte de outras entidades e não são contemplados pelo governo na sua maioria”, explicou Mariana Lopes da Silva.

De acordo com a responsável, as candidaturas decorrem até ao dia 03 de fevereiro, sendo que os candidatos só podem concorrer a uma das categorias, apoiados até a um máximo de 9 mil euros, tendo de comparticipar em 10%.

É tido em conta a situação financeira não só da pessoa com deficiência, mas também da sua família, a motivação da candidatura e o impacto que o apoio vai ter na sua vida.

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