Os portugueses são dos europeus que demonstram maior vontade em vacinar-se contra a Covid-19, com três em cada quatro a manifestar essa intenção quando a vacina estiver disponível, a manifestar essa intenção quando a vacina estiver disponível, revela um estudo da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

As conclusões do estudo da Nova BSE, divulgados este sábado, mostram também que 70% dos portugueses estão “completamente confiantes” de que a vacina contra a Covid-19 será segura, subindo a percentagem de confiança nos que têm entre 55 e 64 anos, entre os quais 79% acreditam na sua segurança.

Investigadores da Nova SBE juntaram-se a equipas da Universidade de Hamburgo, da Rotterdam Erasmus University e da Bocconi University para perceber como a população europeia olha para a pandemia e até que ponto confia nas decisões dos responsáveis políticos.

Para isso, realizaram um estudo online em duas fases, que abrangeu, em cada uma delas, mais de 7.000 participantes de sete países europeus (Alemanha, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Portugal e Reino Unido) tendo em conta a região, idade, género e educação.

Entre a primeira vaga de inquéritos, que decorreu entre 2 e 15 de abril de 2020, e a segunda, realizada entre 9 e 22 de junho, os portugueses mantêm-se como os europeus que demonstram maior vontade de virem a ser vacinados contra a Covid-19 (75%).

Foi observado nos inquiridos, com idades entre os 55 e 64 anos, um ligeiro aumento na disposição de se vacinarem (6 pontos percentuais).

Os homens são os que se mostram mais dispostos a vacinarem-se (78%), assim como indivíduos com alta escolaridade (78%). Além disso, aqueles que conhecem alguém oficialmente diagnosticado com Covid-19 estão mais dispostos a vacinar-se do que aqueles que não conhecem ninguém com Covid-19 (81% vs 74%)", refere a Nova BSE.

Relativamente à possibilidade de a vacina poder não estar disponível em número suficiente para que todos sejam vacinados imediatamente, os portugueses defendem que a prioridade a quem deve ser administrada deve ser definida por uma equipa nacional de especialistas (73%), pelas organizações de saúde que administram a vacina (68%) e pelo Ministério da Saúde (52%).

Para a grande maioria dos portugueses, o acesso prioritário à vacina contra o coronavírus SARS-Cov-2 deve ser dado a pessoas com maior risco de infeção, por exemplo, pessoas que cuidam de alguém que está doente com Covid-19 ou pessoas em profissões vitais (91%) e a indivíduos mais vulneráveis (89%).

No geral, a maioria dos inquiridos discorda que a vacina deve ser administrada numa base de "primeiro a chegar primeiro a ser servida" (68% contra).

Dois terços discordam que pessoas que são geralmente saudáveis e vivam um estilo de vida saudável (66% contra) ou que possam pagar do seu bolso (61% contra) tenham prioridade na administração da vacina.

Além disso, 42% dos portugueses concordam que as características pessoais de uma pessoa não devem desempenhar um papel na decisão de quem é vacinado primeiro.

Dois terços dos portugueses muito preocupados com impacto da pandemia na economia e saúde

O revela que Portugal é onde existe uma maior preocupação com o impacto da pandemia na economia e na saúde, com 67% dos portugueses a manifestarem-se “muito preocupados” com esta situação.

Entre a primeira vaga de inquéritos e a segunda, os portugueses estão agora menos preocupados com o impacto da pandemia na economia e saúde (com exceção dos Açores), mas as preocupações com as suas consequências permanecem altas.

Entre os países europeus envolvidos no estudo, Portugal é onde existe uma maior preocupação com o impacto da pandemia, com 67% dos portugueses a manifestarem-se “muito preocupados com a eventual sobrecarga do sistema de saúde ou temem perder uma pessoa próxima”, enquanto que na Europa a percentagem varia entre 23% e 60%.

Quanto às preocupações económicas, 78% dos portugueses mostram-se receosos quanto à perda de negócios das pequenas empresas (contra 36-71% noutros países da UE) e 57% dos portugueses temem ficar desempregados (contra 13-51% em outros países da UE).

O estudo focou-se ainda em perceber o grau de aprovação ou desaprovação de medidas políticas adotadas (ou que provavelmente serão tomadas) pelos governos nacionais para combater o surto de Covid-19.

Em particular, foram abordados tópicos como encerramento de escolas, proibição de ajuntamentos, fecho de fronteiras, proibição de exportação de equipamentos médicos, multas por violação de quarentena, verificações aleatórias de temperatura, recolher obrigatório, suspensão de transporte público e utilização de dados móveis para monitorizar os casos de infeção.

Comparando com os resultados da primeira fase do estudo, a percentagem de portugueses que aprovam políticas de contenção diminuiu de 79% para 67%, enquanto que o número de entrevistados indiferentes aumentou em 10 pontos percentuais.

Ainda assim, o apoio das pessoas às políticas de contenção em Portugal ainda é o mais alto da Europa (de entre os países cobertos pela pesquisa).

Quanto às medidas, 47% dos portugueses desaprovam o levantamento das restrições nas fronteiras na UE e 35% revelam-se contra a instalação de uma aplicação de rastreamento Covid-19 no seu telefone.

Esta desaprovação tende a ser mais reprovada por pessoas com nível de educação superior (40% contra), refere a investigação da Nova BSE.

O estudo revela ainda que para 37% dos portugueses o desconfinamento está a acontecer muito rapidamente.

Em toda a Europa, há uma tendência para muitas pessoas sentirem que o relaxamento das restrições esteja a acontecer de forma muito rápida e segundo esta pesquisa Portugal não é exceção com 37% das pessoas a partilharem desta visão, em particular os que residem nas regiões do Alentejo, Lisboa e Centro do país”, sublinham os investigadores da Nova SBE.

Em termos de faixas etárias e género, são os mais novos que percecionam como muito rápido o levantamento das restrições, assim como as mulheres (42% das mulheres contra 31% dos homens).

Em contrapartida, 10% das pessoas em Portugal consideram que o retorno à normalidade está a acontecer muito lentamente.

Nesta segunda vaga da pesquisa os inquiridos foram também questionados quando aos locais onde se sentem mais protegidos. O maior ceticismo é encontrado em relação a locais religiosos e academias de ‘fitness’, enquanto a visita ao médico causa a menor preocupação, seguida supermercados, restaurantes e cabeleireiros.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 715 mil mortos e infetou mais de 19,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.746 pessoas das 52.351 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ SS