Apesar da variante do Reino Unido continuar a dominar o cenário epidemiológico em Portugal, os especialistas estão agora preocupados com a evolução da variante da África do Sul. Isto porque desde janeiro esta variante triplicou a presença no país. 

Se em janeiro esta representava 0% dos casos, em fevereriro subiu para 0,1% e agora representa 2,5%. De acordo com o investigador João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), é preciso controlar as fronteiras e estar atento aos cenários epidemiológicos dos outros países.

No que diz respeito à variante da África do Sul, temos até à data de hoje 53 casos confirmados. Temos de estar muito atentos ao controlo de fronteiras, não só ao nosso, mas ao dos outros, porque esta variante é preocupante. Há de facto alguma preocupação, um aumento de casos com algum significado”, frisou, sublinhando: “O que estamos a ver é a ponta do icebergue”.

 

Temos de estar muito atentos ao cenário epidemiológico de todos os países", disse numa intervenção, na reunião que junta, no Infarmed, em Lisboa, especialistas, membros do Governo e o Presidente da República.

O especialista chamou à atenção para o facto desta variante ter uma "grande circulação mundial" e "muitas origens", sendo que os casos que têm surgido em Portugal são provenietes de Espanha e de Moçambique. Até ao momento, foram registados 53 casos desta variante no país. 

Ainda assim, João Paulo Gomes afirmou que este cenário "não é impeditiva da continuação do plano de desconfinamento”.

Variante britânica domina no Algarve e na Madeira 

Relativamente às restantes variantes, a do Reino Unido continua a dominar o cenário epidemiológico em Portugal, representando, no mês de março, 83% dos novos casos. 

Sendo o Algarve e a Madeira as regiões com a percentagem mais alta, 94%. Todas as outras regiões do país têm uma presença da variante britânica entre os 70% e os 80%. 

Quanto à variante do Manaus situa-se nos 0,4% (29 casos) e a do Brasil nos 0,1%: "são ótimas notícias" pelos “níveis residuais” de disseminação, afirmou o especialista. 

Cláudia Évora