A depressão afecta um em cada cinco portugueses e pode ser responsável por mais de 1200 mortes anualmente no país. As consequências económicas são «enormes», estimando-se um custo anual de 118 milhões de euros na Europa, alertou um especialista, escreve a Lusa.

Os dados foram apresentados esta quinta-feira pelo especialista em fármaco-economia Jorge Félix durante um encontro, em Lisboa, organizado pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental para antecipar o Dia Europeu da Depressão, que se assinala a 1 de Outubro.

Segundo Jorge Félix, «a depressão é o principal factor de risco para o suicídio», sendo «enormes» as suas consequências sociais e económicas.

O custo anual total da depressão na Europa em 2004 foi estimado em 118 mil milhões de euros, equivalente a um por cento do Produto Interno Bruto (PIB) europeu e a cerca de 253 euros por habitante.

«A maior parcela da factura da depressão para a sociedade, cerca de 64,4 por cento, está relacionada com a incapacidade/perda de produtividade no trabalho, incluindo a reforma antecipada, a mortalidade prematura devida ao suicídio e o aumento do risco de morte noutras patologias quando associadas à depressão (custos indirectos)», adiantou.

Os restantes custos (directos) dizem respeito a cuidados de saúde primários (19,5 por cento) e internamentos em hospital (8,5 por cento), sendo os custos com medicamentos a menor porção (7,6 por cento).

Dados avançados à Lusa pela consultora IMS Health indicam que, entre Setembro de 2009 e Agosto de 2010, foram vendidas em Portugal 6,885 milhões de embalagens de anti-depressivos e estabilizadores de humor (mais quatro por cento em relação ao ano anterior), no valor de 117,1 milhões de euros, que se manteve igual.

Até Agosto de 2009 tinha havido uma descida de nove por cento do valor destes medicamentos face ao ano anterior.

Dados de alguns países do norte da Europa indicam que os custos da depressão podem ter duplicado entre 1997 e 2005, principalmente pelo aumento extraordinário dos custos indirectos relacionados com o absentismo laboral e a reforma antecipada.

Um estudo pioneiro realizado em Portugal em 1992 estimou que a depressão custaria à sociedade portuguesa cerca de 1227 milhões de euros. Deste valor, 80 por cento foi atribuído a custos indirectos (perda de produção por incapacidade temporária) e 17 por cento a custos directos (consumo de cuidados de saúde). Os custos associados ao suicídio foram estimados em cerca de três por cento do total.

Jorge Félix alerta que «a depressão não tratada pode aumentar o risco de morte, aumentar o absentismo e diminuir a produtividade no trabalho, aumentar os custos dos cuidados de saúde e em última análise contribuir para agravar o peso global da depressão».
Redação / PP