Existem, atualmente, apenas três camas disponíveis nos cuidados intensivos das unidades de queimados dos hospitais em Portugal.

No total, há 35 camas por todo o país, o que se traduz em 1,7 camas por cada milhão de habitantes.

O presidente do Colégio de Especialidade de Cirurgia Plástica da Ordem dos Médicos, Victor Santos Fernandes, explica à TVI que "as infra-estruturas de unidades de queimados são insuficientes no país", mas o problema agravou-se na sequência do internamento dos dois bombeiros feridos com gravidade no incêndio de Castro Verde.

Basta um simples acidente para que entremos em rotura", alerta Victor Santos Fernandes.

Em 2017, o secretário de Estado da Saude deu quatro meses para os hospitais apresentarem planos para reformular as unidades de queimados.

O resultado é zero. Não houve qualquer avanço. Todo o trabalho técnico está feito, o enquadramento jurídico também. Os queimados são esquecidos", revela.

Se o plano de 2017 tivesse avançado, por exemplo, o hospital de Santa Maria triplicava a capacidade: passava de cinco pra 16 camas.

Estamos a falar de doentes muitíssimo graves, com várias necessidades. Este tipo de doentes pode estar, em media, 40 a 60 dias internado", explica o especialista.

José Gabriel Quaresma / publicado por Rafaela Laja