2016 foi o ano em que Portugal esteve, definitivamente, nas bocas do mundo. A Seleção Nacional sagrou-se campeã da Europa, o Cinema nacional brilhou além fronteiras e um português assumiu o mais importante cargo diplomático a nível mundial. Mas Portugal foi também falado lá fora por causa da organização de uma das mais importantes cimeiras tecnológicas mundiais. 

Para a história, ficará também a eleição de um novo Presidente da República, que trouxe para a política a "linguagem dos afetos", e uma mudança político-social que se traduziu na abertura legal para que casais homossexuais possam adotar. 

Os incêndios na Madeira e as mortes no curso de Comandos também marcaram a atualidade. 

1 - Adoção por casais homossexuais

Preto no branco, as leis sobre adoção por casais homossexuais e as alterações à lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), que tinham sido promulgadas pelo Presidente da República a 24 de fevereiro deste ano, foram publicadas a 29 do mesmo mês em Diário da República. 

Os dois diplomas tinham sido vetados a 25 de janeiro pelo chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, que, na mensagem que enviou ao parlamento quando devolveu os decretos, argumentou que a adoção por casais do mesmo sexo não foi antecedida de um debate público suficientemente amplo e considerou estar ainda "por demonstrar" que sejam mudanças legais que "promovam o bem-estar da criança".

A 10 de fevereiro, a Assembleia da República confirmou por maioria absoluta as leis vetadas, obrigando, assim, Cavaco Silva a promulgá-las.

2 - Marcelo Rebelo de Sousa eleito Presidente da República

Sem grandes surpresas e com uma grande margem de vantagem, Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito presidente da República, a 24 de janeiro de 2016. De acordo com os dados finais publicados em Diário da República, Marcelo Rebelo de Sousa obteve 52% dos votos: 2.413.956 votos num universo de 4.744.597 votantes.

António Sampaio da Nóvoa conseguiu 1.062.138 votos (22,88%). A candidata do Bloco de Esquerda (BE), Marisa Matias, conseguiu 469.814 votos (10,12%).

Marcelo Rebelo de Sousa trouxe para o dia a dia político um termo pouco habitual no contexto: chamou a si próprio o Presidente dos afetos. Sai à rua, envolve-se com o povo, abraça, cumprimenta, tira selfies

Logo na tomada de posse, a 09 de março, Marcelo marcou pela diferença. Depois da cerimónia na assembleia da República, o novo Presidente saiu à rua, para festejar com o povo. Mariza, Paulo de Carvalho, José Cid, Pedro Abrunhosa e Anselmo Ralph estiveram entre os convidados que atuaram na festa. O novo Presidente assistiu junto do povo e deu autógrafos. 

3 - Paulo Portas deixa a vida política

Num discurso emocionado, Paulo Portas deixou a liderança do CDS-PP no congresso de março e deu lugar a Assunção Cristas

A 16 de março, o ex-vice-primeiro-ministro eleito vice-presidente da Câmara de Comércio, cargo que, de acordo com a instituição, tem duração de três anos e não é remunerado.

Novamente num discurso emocionado, Portas despediu-se do Parlamento, a 02 de junho. Foi no encerramento de um debate agendado pelos centristas sobre envelhecimento ativo e proteção aos idosos, uma das bandeiras do CDS durante a era Portas. 

O seguinte passo profissional de Paulo Portas gerou celeuma. Portas tornou-se consultor da Mota-Engil e a opção foi criticada sobretudo pelo Bloco de Esquerda, que considerou, na altura em que foi conhecido o novo cargo, "politicamente criticável" a "porta giratória" entre Governo e privado.

Paulo Portas é agora também consultor de uma petrolífera e comentador político. 

4 - Táxis vs Uber

O ano foi sendo pontuado pela polémica realção entre taxistas e as novas plataformas de contratação de transportes. Sucederam-se as manifestações de taxistas contra a Uber e, mais tarde, contra outras plataformas que entretanto foram chegando ao mercado. 

Foram vários os protestos e muita a contestação. A primeira e mais marcante manifestação aconteceu no final de abril. Um protesto que ficou marcado por agressões a motoristas da Uber. 

A introdução de nova legislação, em setembro, agradou à Uber e à Cabify, mas não amenizou os ânimos dos homens dos táxis, que voltaram a protestar nas ruas

5 - Portugal campeão da Europa

Exatamente um mês depois do dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, foi também da Seleção Nacional. A 10 de julho, um golo de Éder deu a vitória de Portugal sobre a França e valeu o campeonato da Europa à Seleção portuguesa de Futebol. 

Fernando Santos tinha prometido que só regressaria a Portugal a 11 de julho e cumpriu. Foi recebido com pompa e circunstância. Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República, fez questão de receber os novos heróis nacionais.

6 - Incêndios na Madeira

Foi um verão quente em Portugal e, para tal, muito contribuíram os incêndios. A área ardida este ano mais do que duplicou em relação a 2015. Os incêndios florestais consumiram, até 30 de setembro, 150.499 hectares. O distrito do Porto foi o que registou mais ocorrências de fogo, mas Aveiro e Viana do Castelo foram os distritos com mais área ardida.

A Madeira foi especialmente fustigada pelas chamas este ano. O fogo deixou muitas famílias sem casa e destruiu hotéis e viaturas e entrou pela cidade do Funchal adentro

7 - Mortes nos Comandos

No início de setembro, o 127º curso de Comandos ficou marcado pela morte de dois militares, Hugo Abreu e Dilan Silva. 

As autoridades deram início a uma investigação e os cursos de comandos foram suspensos até à conclusão das averiguações. 

Além do processo de averiguações interno aberto pelo Exércitoque já acusou três militares, as mortes estão ainda a ser investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária Militar.

8 - Nuno Lopes premiado

O filme "São Jorge", do realizador Marco Martins, tem feito carreira nos festivais internacionais e colecionado prémios. Com ele, o ator Nuno Lopes viu a carreira ser consagrada. Os últimos prémios alcançados foram no Festival de Cinema de Macau.

Mas antes, Nuno Lopes já tinha sido distinguido pelo júri da secção "Orizzonti", do Festival Internacional de Cinema de Veneza, com o Prémio Especial de Melhor Ator, pelo seu desempenho no filme "São Jorge", de Marco Martins.

9 - Guterres na ONU

2016 fica também marcado pela ascendência de um português ao mais alto cargo da diplomacia mundial. Mesmo depois de manobras de bastidores e candidaturas de última hora, António Guterres foi aclamado Secretário-geral das Nações Unidas, a 13 de outubro. 

Guterres prestou juramento a 12 de dezembro, numa cerimónia em Nova Iorque em que esteve presente António Costa, o primeiro-ministro português, e também Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República. 

António Guterres herda dossiers muito complicados. Desde logo, um que conhece muito bem, o dos refugiados. Mas também outro que está diretamente ligado a este primeiro, o da guerra na Síria. 

10 - Websummit

A capacidade de receber dos portugueses ficou patente, já no final deste ano. A Websummit reuniu em Lisboa mais de 50 mil pessoas e terá tido um impacto económico de 200 milhões de euros

Durante três dias, discutiu-se, no Parque das Nações, tecnologia, mas também empreendorismo e até desporto. 

O sucesso foi inegável e as próximas edições da cimeira já estão marcadas para Lisboa. 

Manuela Micael