A secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, afirmou esta terça-feira que a comunidade portuguesa na África do Sul está “assustada” com os distúrbios violentos no país, mas que não há registo de mortos ou feridos entre os portugueses.

“As pessoas estão assustadas, o que é compreensível. Já fizeram alguns telefonemas, informando de situações de que estão a ter conhecimento e também pedindo orientações e manifestando preocupação. Essa preocupação é normal, é natural, e também deve levar as pessoas a ter o máximo de precaução”, disse à Lusa Berta Nunes, por telefone.

Na zona onde está boa parte da comunidade portuguesa em Joanesburgo, nomeadamente o consulado, até ao momento não tem havido quaisquer distúrbios, mas nós sabemos que, tanto em KwaZulu-Natal, como em Gauteng, houve situações de comércios de portugueses, várias atividades, que foram saqueados”, afirmou a governante, que explicou que foram atingidos seis estabelecimentos: três na província de KwaZulu-Natal e três na província de Gauteng.

A secretária de Estado acrescentou que, “até ao momento, embora tenha havido essas seis situações já identificadas de estabelecimentos portugueses que foram saqueados e até incendiados, não há nenhuma morte na comunidade portuguesa”.

Ainda assim, Berta Nunes lamentou “outras mortes” ocorridas durante os distúrbios. Segundo as autoridades, pelo menos 45 pessoas morreram e mais de 700 foram detidas nos distúrbios violentos que afligem a África do Sul pelo sexto dia consecutivo, depois da prisão de Jacob Zuma, antigo chefe de Estado e ex-líder do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês).

A secretária de Estado apelou para “a máxima precaução” e para que a comunidade portuguesa “siga as recomendações das autoridades”.

Berta Nunes aconselhou a população a não se dirigir ao consulado em Joanesburgo, uma vez que está encerrado.

“Está encerrado no sentido de evitar que as pessoas se dirijam ao consulado, porque a recomendação que nós estamos a dar à comunidade é que evitem deslocações”, apontou, detalhando que foi também feito o apelo para, caso consigam, os elementos da comunidade portuguesa não abram os comércios “em zonas mais complicadas”.

“Hoje o senhor embaixador está a dirigir uma carta a toda a comunidade para dar algumas orientações”, apontou, acrescentando que os elementos da comunidade na África do Sul poderão, “se tiverem necessidade de ajuda, utilizar o Gabinete de Emergência Consular” ou contactar o telefone de emergência do consulado de Joanesburgo.

A governante referiu que neste momento “é preciso ter calma, evitar sair de casa nas zonas onde existem esses distúrbios, se possível evitar também abrir os comércios nas zonas mais complicadas e, como o Governo está a tomar as medidas para normalizar a situação”, também o executivo português irá “acompanhar de perto”.

Esperamos que muito em breve toda esta situação esteja resolvida”, concluiu.

O Governo sul-africano destacou 2.500 militares para apoiar a Polícia a conter os distúrbios no KwaZulu-Natal e em Gauteng, o motor da economia do país.

Estima-se que mais de 30 mil portugueses vivam na Cidade do Cabo.

Embaixador pede que se fique em casa

O embaixador de Portugal na África do Sul, Manuel Carvalho, instou os cerca de 450 mil portugueses no país a “ficarem em casa”, garantindo que as autoridades portuguesas estão “alerta” devido à violência em várias regiões sul-africanas.

A comunidade deve seguir estritamente as recomendações das autoridades e agir com a maior precaução possível: se não precisar de sair, não saia de casa; e talvez sejam dias para não abrir as lojas ou outros estabelecimentos”, referiu Manuel Carvalho.

Numa mensagem à comunidade portuguesa residente na África do Sul, divulgada hoje através de vários grupos da rede social WhatsApp do movimento associativo português no país, o diplomata adiantou que as “estruturas consulares estão alerta e a acompanhar proximamente a situação”, sem avançar detalhes.

“Casos de emergência e de assistência consular devem ser comunicados ao Gabinete de Emergência Consular (gec@mne.pt; +351961706472) ou aos nossos Postos”, lê-se na nota, a que a Lusa teve acesso, acrescentando que “sendo os casos mais graves todos em zonas que cabem na jurisdição de Joanesburgo, as situações relevantes podem ser comunicadas à equipa do consulado-geral (emergência consular: 0783446495)”.

O diplomata português considerou que os distúrbios violentos que fustigam pelo sexto dia consecutivo a África do Sul “enquanto duram, são momentos particularmente perigosos em que é essencial manter toda a prudência”.

“Há que ter sempre presente que a vida vale mais que o património; e que é importante tomarmos as medidas que previnam passos ou situações que possam trazer consequências irreversíveis”, adiantou.

“Infelizmente, sabemos de estabelecimentos de portugueses que foram vandalizados em certas zonas no KwaZulu-Natal e no Gauteng. Não tenho conhecimento de danos pessoais”, salientou.

Na ótica de Manuel Carvalho, “quem está em África, quem está na África do Sul há muito tempo já viu situações parecidas e, como tem sido geralmente o caso, acabam por sossegar após alguns dias, com medidas de recuperação do controlo pelas autoridades”.

“Acredito que o mesmo irá ocorrer desta vez”, preconizou o embaixador de Portugal na África do Sul na mensagem dirigida aos portugueses residentes no país.

/ AG