O número de mortes causado pelo surto de legionella que está a afetar a região Norte subiu esta quarta-feira para sete. A doença está a afetar sobretudo os concelhos de Matosinhos e Póvoa de Varzim.

Em direto de Gondomar, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, confirmou a existência de 53 casos na faixa litoral de Matosinhos, Póvoa de Varzim e Vila do Conde.

O governante adiantou ainda que estão a ser analisadas amostras de água das torres de refrigeração de diferentes espaços, da rede de água pública e também das secreções dos doentes infetados. As colheitas serão reencaminhadas para o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Questionado sobre as medidas a aplicar no local, como o possível encerramento de fábricas, António Lacerda Sales afirmou que ainda está a ser feita uma análise à situação, até porque não se sabe ao certo se existe apenas uma estirpe.

A doença do legionário, provocada pela bactéria 'Legionella pneumophila', contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

No Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, mantêm-se 20 pessoas internadas, de acordo com dados de terça-feira.

Também no Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim o número de internamentos devido à doença tem vindo a aumentar, com mais dois casos diagnosticados, elevando para 13 o número de pessoas que estão a receber assistência na unidade, onde já se registaram duas mortes, confirmou, também, fonte desta unidade.

Já no Hospital de São João, no Porto, estão seis pessoas internadas, duas das quais em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), revelou à Lusa fonte oficial daquela unidade hospitalar, também na terça-feira.

O último grande surto de legionella em Portugal ocorreu em 2014, quando morreram 12 pessoas num total de 400 infetados em Vila Franca de Xira, com o foco de contágio a dar-se numa fábrica de uma empresa de fertilizantes.

O caso acabou por resultar num processo em tribunal onde são exigidas indemnizações por parte das 73 vítimas incluídas no processo.

António Guimarães / com Lusa