A defesa de inspectores da Judiciária arguidos no caso das alegadas agressões a Leonor Cipriano declarou esta sexta-feira que o pedido de suspensão do juiz-presidente, feito pelo advogado Marcos Aragão, visa «estragar» e «arrebentar» com o processo, informa a Lusa.

«A suspensão do juiz visa embrulhar o processo e que o que foi dito em julgamento não seja considerado», disse o causídico António Pragal Colaço, acusando Marcos Aragão de incompetência por ter sido o próprio juiz a «desentranhar» o incidente de escusa do processo por uma questão de «economia processual».

O advogado de Leonor Cipriano, Marcos Aragão Correia, que não compareceu hoje à sessão, havia declarado à Agência Lusa que tinha pedido quarta-feira, no Tribunal da Relação de Évora, o afastamento do juiz-presidente, Henrique Pavão, do julgamento dos inspectores da Judiciária, argumentando que o comportamento do magistrado indiciava «parcialidade».

Hoje, por seu turno, o juíz-presidente Henrique Pavão veio citar o artigo 45.º do Código do Processo Penal, para lembrar que o requerimento feito por Aragão Correia não deveria ter sido apresentado no Tribunal de Faro, mas sim num tribunal de hierarquia superior.

O juiz-presidente afirmou hoje que por uma questão de «economia processual» foi o próprio que mandou para o «tribunal mais competente» - o Tribunal da Relação de Évora - o requerimento de Marcos Aragão a pedir suspensão do magistrado por «parcialidade».

Em requerimento dirigido ao Tribunal da Relação de Évora, a que a agência Lusa teve acesso, a defesa de Leonor Cipriano sustenta que, no decorrer do julgamento, iniciado a 24 de Outubro de 2008 no Tribunal de Faro, «várias condutas do juiz-presidente passaram a indiciar uma possível ausência de imparcialidade contra» a mãe da menina desaparecida em Setembro de 2004 «a favor dos arguidos».
Redação / CLC