As famílias das vítimas da tragédia da Praia do Meco entregaram um recurso no Tribunal da Relação de Évora a pedir a nulidade do arquivamento do processo decidido pelo Tribunal de Setúbal.

Em Portugal, esta é a última hipótese dos pais das vítimas de levarem o ex-Dux da Universidade Lusófona, João Gouveia, a julgamento.

As famílias dizem que a decisão do Tribunal de Setúbal foi baseada em prova proibida, uma vez que o arquivamento foi ditado pelas declarações de João Gouveia durante a fase de inquérito, enquanto testemunha. Durante a fase de instrução, enquanto arguido, João Gouveia remeteu-se ao silêncio.

«É evidente que o silêncio não pode prejudicar ninguém, contudo também não pode beneficiar», disse o advogado das vítimas, Vítor Parente Ribeiro, à TVI.


Para os familiares das seis vítimas, o juiz de instrução terá, ainda, deixado de lado indícios considerados relevantes, como são exemplo os objetos levados pelas vítimas para a Praia do Meco, que sugerem prática de praxe académica naquela noite.

O advogado Vítor Parente Ribeiro fala num processo pouco claro onde nunca existiu vontade de investigar. Exemplo disso são mensagens trocadas entre elementos da Comissão de Praxe que indiciam que a Polícia Judiciária revelou informações privilegiadas.  

«Há elementos concretos que demonstram que este processo não é claro, não é transparente, isento, nem imparcial. Estas mensagens são um exemplo claríssimo e flagrante de tudo isso», acrescentou o advogado.


Tanto João Gouveia como o Ministério Público têm agora 30 dias para responder. Caberá depois ao Tribunal da Relação de Évora decidir se mantém este caso arquivado, ou se pelo contrário segue para julgamento. 
Ana Leal