A época balnear arranca esta terça-feira em todo o país, com a cerimónia oficial a decorrer este ano em Mafra, quando se debate a necessidade de adaptar a época balnear às condições climatéricas, para evitar afogamentos fora de época.

O secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, defende que o calendário de início da época balnear deverá ser ajustado conforme as condições climatéricas, dando como exemplo o calendário de combate a incêndios florestais.

Por seu lado, a Federação Portuguesa de Concessionários de Praia e a Liga dos Bombeiros Portugueses vêm alertar para a necessidade de garantir o socorro nas praias fora da época balnear.

Com vista a modificar o sistema nacional de prevenção de afogamentos e a reduzir o número de praias não vigiadas, a Federação Portuguesa de Concessionários de Praia e a Federação Portuguesa de Nadadores-salvadores partilham da opinião de que a vigilância e a contratação de nadadores-salvadores deveriam passar para a esfera das autarquias.

A Protecção Civil, Instituto da Água, administrações das regiões hidrográficas, Instituto de Socorros a Náufragos e autarquias lançam esta terça-feira uma campanha de sensibilização destinada a alertar os banhistas para os perigos nas praias e da permanência junto a arribas.

A época balnear começa este ano com 240 bandeiras azuis hasteadas, mais 14 do que em 2009.

Também começa a época de incêndios

O dispositivo especial de combate a incêndios florestais está a partir desta terça-feira a postos, com 6651 operacionais, 1528 recursos técnicos e terrestres e 70 postos de vigia da rede primária, segundo a Autoridade Nacional de Protecção Civil.

Em declarações à agência Lusa, o comandante Gil Martins explicou que o dispositivo de reforço é composto por «1350 homens só no sector da vigilância da floresta, cerca de 1800 na vigilância e preparados para ataque inicial e depois cerca de 3500 especificamente para combate aos incêndios florestais».

Há também 34 meios aéreos, dos quais 17 vão começar já esta terça-feira, e os restantes no próximo dia 15.

Os meios aéreos incluem aviões de ataque inicial, helicópteros de ataque inicial, cinco helicópteros pesados da Empresa de Meios Aéreos do Estado (EMA) e ainda dois aviões Canadair a partir de 15 de Junho.

O Inverno foi chuvoso e prolongado, havendo na floresta muito combustível que não foi possível eliminar com práticas de silvicultura preventiva e fogo controlado, dada a humidade dos terrenos e existência de neve até muito tarde na Serra da Estrela, por exemplo, o que pode implicar maior risco de incêndio «se houver negligência no uso do fogo por parte dos cidadãos», alertou.

Por outro lado, «quando temos Invernos muito prolongados, como este ano, eventualmente podemos ter também Verões mais prolongados», advertiu.

A entrada em funcionamento do reforço de meios foi adiada de 15 de Maio para 1 de Junho devido às condições climatéricas e poderá ser prolongada a sua manutenção no terreno, caso o Verão se prolongue também, admitiu Gil Martins, comandante nacional de Operações de Socorro.

«Poderá acontecer termos um Verão mais prolongado no tempo, que entre pelo Outono dentro. Essa também foi uma das razões porque adiámos a entrada em funcionamento deste dispositivo especial de reforço ao normal, para podermos, se for preciso no final do Verão, prolongarmos o dispositivo o tempo que for necessário», disse.
Redação / CP