O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou, este sábado, a morte de Loureiro dos Santos, lembrando que a contribuição do general foi “muito relevante para a consolidação da democracia” em Portugal.

O general Loureiro dos Santos teve uma destacada e reconhecida participação na vida pública portuguesa, com uma contribuição muito relevante para a consolidação da Democracia”, refere Marcelo Rebelo de Sousa numa nota publicada na página oficial da Presidência da República.

Marcelo Rebelo de Sousa lembra ainda o general como um homem dotado de “uma excecional inteligência e vasta experiência académica”, além de ser “detentor de um pensamento inovador nos conceitos de estratégia e defesa nacional, sendo considerado um dos mais notáveis militares da sua geração e o grande mestre da moderna escola de estratégia em Portugal”.

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Na nota, o Presidente da República refere ainda que Loureiro dos Santos foi condecorado várias vezes pelo Estado português, tendo este ano sido agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada por Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República envia as “mais sentidas condolências à família, aos amigos e às Forças Armadas”.

Primeiro-ministro expressa "profundo pesar"

O primeiro-ministro, António Costa, expressou o seu "profundo pesar" pela morte de Loureiro dos Santos, considerando que o general deixou uma "marca indelével na construção e consolidação" da democracia portuguesa.

O general Loureiro dos Santos deixou uma marca indelével na construção e consolidação da nossa democracia", vincou o também secretário-geral do PS, que falava aos jornalistas antes de um almoço com militantes socialistas, em Coimbra.

António Costa salientou o facto de o general, já depois de ter terminado a sua prestação de serviço, ter prosseguido com "uma reflexão sempre muito ativa, muito inteligente, muito informada sobre a inserção geoestratégica de Portugal".

Deu grandes contributos para a definição da nossa política externa e agora deixa-nos com muita saudade", disse o primeiro-ministro.

Ferro Rodrigues lamenta "inesperada e triste" notícia

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, lamentou a "inesperada e triste" notícia do falecimento do general José Loureiro dos Santos, lembrando-o como um chefe militar "muito admirado pelos portugueses".

Foi sempre uma voz muito presente no espaço público, que contribuiu bastante para a difusão de uma cultura de segurança e defesa em Portugal. Espero que o seu legado continue sempre bem vivo no Exército e na sua terra natal de Sabrosa, onde existe um arquivo aberto ao público com o seu nome", escreveu o presidente do parlamento, numa nota enviada à agência Lusa.

Ferro Rodrigues recordou o ex-ministro da Defesa Nacional e Chefe do Estado-Maior do Exército como um homem "muito respeitado pelos seus pares e muito admirado pelos portugueses, endereçando à família, aos amigos e ao Exército Português as suas condolências, em nome da Assembleia da República.

Morreu "um grande chefe militar e um exemplo ético para todos"

O ministro da Defesa lamentou hoje a morte do general Loureiro dos Santos, considerando-o "um grande chefe militar e um exemplo ético para todos".

Na sua conta na rede social Twitter, João Gomes Cravinho escreveu que o general Loureiro dos Santos foi uma "figura de referência ímpar no pensamento militar em Portugal" e que "foi fundamental para a transição das Forças Armadas no regime democrático".

Recebi com pesar a notícia do falecimento do General Loureiro dos Santos", acrescenta o ministro da Defesa.

Em comunicado, o Ministério da Defesa lamenta, igualmente, a morte do general Loureiro dos Santos, considerando-o "uma referência incontornável" para as Forças Armadas e para a sociedade portuguesa, que transcende o Exército.

É um nome que, pelo seu reconhecimento, perdura nas nossas memórias", lê-se no comunicado do Ministério, que acrescenta que o general Loureiro dos Santos "era um líder com um grande sentido de dever, de lealdade, e de disciplina, uma referência intelectual inspiradora de uma dimensão que vai além do Exército".

Eanes perdeu um "irmão por opção"

O ex-Presidente da República António Ramalho Eanes lembrou, emocionado, o general Loureiro dos Santos, seu "irmão por opção", sublinhando a sua personalidade "de excelência", como militar e académico, e como "exemplo ético".

Ramalho Eanes recordou e elogiou o percurso do antigo ministro da Defesa e ex-Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), "o seu propósito de excelência", como "aluno, professor, como militar, nas suas missões e nas funções que resolveu exercer", e o seu "exemplo ético".

O "exemplo ético", disse, manifestou-o Loureiro dos Santos ao deixar o cargo de CEME, por causa da chamada "lei dos coronéis", que impunha a reforma antecipada de dezenas de oficiais.

"Entendeu que, para continuar, tinha que trair a confiança dos seus homens. Por isso, entendeu não continuar", afirmou o ex-presidente, em declarações à Lusa e à RTP, na sua residência, em Lisboa.

Ramalho Eanes citou palavras de Loureiro dos Santos, numa biografia da autoria da jornalista Luísa Meireles, em que o considerou "irmão por opção".

Para mim, ele é também é assim uma espécie de irmão por opção".