João Vale e Azevedo, antigo presidente do Benfica, está definitivamente livre do processo em que era acusado de se ter apropriado de 1,2 milhões de euros do clube, relativos a direitos de transmissão televisiva de jogos europeus do Benfica entre 1998 e 1999.

Um documento a que a TVI teve acesso, datado de 20 de fevereiro não deixa margem para dúvidas.

O Tribunal Judicial de Lisboa declara o arquivamento definitivo do caso, dando razão a um acórdão do tribunal da relação, favorável à prescrição do procedimento criminal por já terem decorrido mais de 20 anos da prática dos factos. 

O arquivamento ainda foi contestado pelo Ministério Público, que pediu a nulidade da decisão, mas sem sucesso.

O dinheiro terá sido desviado pelo então presidente do Benfica na sequência de um acordo com a empresa Global Sports Net.

Com esta decisão fica, assim, para história deste caso o facto de o Ministério Público não ter conseguido fazer justiça ao Benfica em tempo útil, deixando sem castigo alegados crimes de peculato e falsificação de documentos. 

Recorde-se que o processo chegou a ter julgamento marcado em 2019, ou seja, a acusação demorou mais de 13 anos a sair.

Esta foi uma vitória fácil para Vale e Azevedo que vive uma vida de luxo em Londres. O ex-advogado assiste agora ao braço de ferro, entre a justiça portuguesa e as autoridades inglesas, para ser novamente extraditado para cumprir dez anos de prisão pelo desvio de outros quatro milhões de euros, desta feita relativos a transferências de jogadores do Benfica.

Processo que deverá igualmente prescrever, uma vez que, também em relação a esses crimes, já passaram 20 anos.