O estabelecimento prisional de Coimbra está sobrelotado, tem guardas prisionais a menos e também graves problemas de segurança, denunciaram esta terça-feira o subchefe Jorge Simões e o delegado sindical Paulo Gouveia.

«É inadmissível que, ao fim de semana, haja apenas 30 homens a trabalhar para tomar conta de 600 presos. É uma média de 20 presos por guarda. Apanhar droga e telemóveis é uma sorte. Há grande desalento dos guardas e muita falta de motivação. A segurança está debilitada», disse Jorge Simões, subchefe naquele estabelecimento prisional.

Os guardas prisionais iniciaram hoje um novo período de greve de 12 dias devido ao impasse nas negociações com o Governo, sobre o estatuto profissional.

A greve, convocada pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), vai decorrer até 1 de junho e vai afetar as visitas dos reclusos e o transporte para os tribunais.

Segundo o sindicato, durante a greve não há as habituais visitas aos reclusos e transporte para os tribunais, sendo apenas feita a abertura das celas para alimentação, assistência médica, medicamentos a e assistência religiosa.

«Neste momento, há cerca de 40 guardas a trabalhar durante a semana e 28 a 30 durante o fim de semana. Isto, num estabelecimento com quase 600 presos e que está dimensionado para 300 e pouco», alertou também Jorge Simões.

Para este guarda prisional, «a qualquer momento pode acontecer qualquer coisa» dentro da prisão, devido à falta de segurança.

«Só não rebenta aqui qualquer coisa porque lá fora as coisas estão piores e eles não são parvos. Como é possível que, no refeitório, com 500 presos, estejam apenas presentes quatro elementos de segurança? Não temos qualquer hipótese de manter a disciplina», assegurou.

O subchefe explicou ainda que, muitas vezes, quando há desacatos no fundo das alas, os guardas não resolvem o conflito, porque torna-se impossível para dois elementos de segurança conseguirem mediar quase 200 reclusos.

«Não vamos, porque não sabemos o que nos pode acontecer», assumiu.

Paulo Gouveia, o delegado sindical presente da manifestação, também falou no problema da sobrelotação e recordou que a estrutura, preparada para 300 e poucos reclusos, está agora preenchida com 527.

«Não há segurança», assegurou.

A paralisação de 12 dias ocorre depois de dois períodos de greve, que, segundo o sindicato, registaram adesões acima dos 90 por cento, e de uma vigília, na semana passada, em frente ao Ministério da Justiça.

Em causa estão as negociações com o Governo do estatuto profissional dos guardas prisionais, cuja conclusão tem vindo a ser adiada.

Segundo o sindicato, o estatuto profissional já devia estar concluído em março, mas o Ministério das Finanças quer agora iniciar um novo processo de negociações e ignorar as conversações mantidas com o Ministério da Justiça há mais de um ano.

Os guardas prisionais têm ainda marcada uma nova paralisação entre 3 e 8 de junho.

O presidente do sindicato, Jorge Alves, disse à agência Lusa ainda que os guardas prisionais estão «dispostos a ir até onde for preciso, caso o Governo não apresente um documento com os pontos já discutidos com o Ministério da Justiça».
Redação / CM