A fase de instrução do processo marquês é retomada esta terça-feira. Vai ser ouvido em interrogatório complementar o arguido, Rui Mão de Ferro, no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

Foi constituído arguido por possível envolvimento em negócios com Carlos Santos Silva, uma vez que o Ministério Público (MP) acredita que o empresário possa ter sido um dos testas de ferro de Santos Silva e de José Sócrates. 

No requerimento de abertura de instrução, o empresário negou qualquer envolvimento no esquema apontado pelo MP, e defende que se limitou a cumprir ordens de Santos Silva e nunca conheceu o ex-primeiro ministro.

O MP acusa ainda este arguido de ter recebido quase 390 mil euros, no espaço de cinco anos, como contrapartida da alegada atividade ilícita. No entanto, o ex-diretor financeiro defende que esse valor é a soma dos salários.

Rui Mão de Ferro está acusado de falsificação de documentos e de branqueamento de capitais. Chamou a depor alguns dos arguidos e oito testemunhas.

O inquérito Operação Marquês culminou na acusação pela justiça portuguesa a 28 arguidos - 19 pessoas e nove empresas - e está relacionado com a alegada prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

José Sócrates, que chegou a estar preso preventivamente durante dez meses e depois em prisão domiciliária, está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

Entre outros pontos, a acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santos e na PT, bem como por garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.