A vacinação contra a covid-19 de professores e funcionários não-docentes do pré-escolar e 1.º ciclo arrancou neste sábado, em todo o país, num processo que vai envolver quase 80 mil profissionais da educação.

No total, estão incluídos nesta primeira fase, que decorre entre sábado e domingo, cerca de 78.700 pessoas, também da chamada "Escola a Tempo Inteiro", que reabriram na semana passada, abrangendo os setores público e privado.

Na quarta-feira, os docentes e não docentes começaram a receber a convocatória, através de SMS, para receberem a primeira dose da vacina AstraZeneca, e tiveram um dia para responder se pretendem ou não ser vacinados. Caso não o tenham feito ou recusem esta vacina, perdem a prioridade na vacinação.

Por outro lado, o Ministério da Educação assegurou que não perderiam o lugar se, por qualquer motivo, não tiverem sido contactados, aconselhando-os a avisar a direção do respetivo estabelecimento de ensino, para que a escola envie a informação à direção de serviços regional, "a fim de ser elaborada uma lista e enquadrada(s) a(s) situação(ões) numa futura fase de vacinação".

O processo de vacinação vai decorrer de três formas: nos concelhos onde o grupo de profissionais a vacinar seja inferior a 250 pessoas, será nos centros de saúde, naqueles em que se prevê a vacinação entre 250 e 500 pessoas, o processo será realizado nas escolas e nos locais com mais de 500 pessoas, a escolha recaiu nos Centros de Vacinação Covid.

No primeiro dia, a vacinação dos professores vai ser acompanhada pelo primeiro-ministro, António Costa, que estará acompanhado pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, pelas 10:30 em Odivelas.

Da parte da tarde, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medida, acompanha o coordenador da ‘task force’ para o plano de vacinação contra a covid-19, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, ao centro de vacinação da Cidade Universitária, inaugurado esta semana.

Também a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) vai estar atenta ao primeiro dia do processo há muito tempo reivindicado, e o secretário-geral, Mário Nogueira, acompanhará a vacinação em Coimbra.

Depois desta primeira fase, o processo de vacinação dos profissionais da educação vai continuar a decorrer de forma progressiva durante o mês de abril, acompanhando o processo de desconfinamento.

De acordo com o planeamento da ‘task-force’, os profissionais dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário começam a ser vacinados no fim de semana de 10 e 11 de abril, podendo o processo ser prolongado por mais fins de semana caso haja necessidade.

No total, a 'task force' prevê vacinar cerca de 280 mil professores e pessoal não docente desde creches até ao ensino secundário.

Em 10 de março, a Direção-Geral da Saúde incluiu nos grupos prioritários da fase 1 para a vacina contra a covid-19 os professores e o pessoal não docente, do setor público e privado.

A vacinação dos profissionais do pré-escolar e 1.º ciclo deveria ter arrancado no passado fim de semana, mas a suspensão temporária da administração da vacina da AstraZeneca ditou o adiamento do processo.

Fenprof diz que vacinação é passo importante para escolas não voltarem a fechar

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) afirmou hoje que a vacinação dos professores e pessoal não docente é "um passo importante" para garantir que as escolas não voltam a encerrar devido à pandemia.

O que esperamos é que os professores possam dar hoje um passo importante também para que as escolas não voltem a encerrar e o ensino não volte a ser à distância", disse Mário Nogueira, que falava aos jornalistas em Coimbra, onde acompanhava o início da vacinação dos docentes e funcionários do pré-escolar e primeiro ciclo do ensino básico.

O secretário-geral da Fenprof realçou que é fundamental garantir que os alunos possam "recuperar das quebras de aprendizagem que tiveram" durante o ensino à distância.

Mário Nogueira referiu que não tem conhecimento de professores que se tenham recusado a receber a vacina contra a covid-19, mas soube de docentes que não foram chamados para a vacinação, quando constavam das listas.

É um processo que vai desenrolar-se ao longo de quatro semanas. O balanço do que se pode fazer, se correu tudo bem ou não, é no final dessas quatro semanas", acrescentou.

Em declarações aos jornalistas, o dirigente sindical realçou que o Ministério da Educação não acompanhou as posições da Fenprof relativamente à vacinação dos profissionais das escolas, tendo sido o Ministério da Saúde a decidir "integrar estes trabalhadores na fase 1" de vacinação.

Mário Nogueira defendeu ainda que os professores do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário deveriam começar a ser testados antes das aulas começarem.

Junto ao centro de vacinação de Coimbra, no Pavilhão Mário Mexia, a Fenprof esteve também a distribuir um panfleto e a recordar "que os problemas que os professores vivem hoje estão longe de se esgotarem nos problemas da covid-19", disse.

Há muitos problemas dos professores a que o Ministério da Educação não está a dar nenhuma resposta", notou.

. / CM - notícia atualizada às 11:20