A reunião da ministra da Educação com a Fenprof (Federação Nacional dos Professores), realizada esta quarta-feira de manhã, terminou sem acordo. Segundo Mário Nogueira, líder sindical, declarou aos jornalistas, Maria de Lurdes Rodrigues não apresentou qualquer proposta, para rever o actual modelo de avaliação dos professores, e apenas solicitou à Fenprof que desse a sua opinião.

FENPROF tem «posições extremistas»

O líder da Fenprof saiu da reunião com a ministra «mais cedo do que o normal por não haver mais nada a discutir». O braço-de-ferro, que Nogueira diz não existir, entre os professores e a ministra da Educação promete assim continuar. A saída do encontro desta manhã, que durou pouco mais de meia-hora, Mário Nogueira declarou que «a senhora ministra reconhece hoje, e isso já é um avanço, que o modelo está a criar problemas nas escolas, mas nunca admite que o problema é do modelo, diz sempre que é das resistências» dos professores.

«Guerra na Educação» prejudica alunos

O clima de tensão entre docentes e tutela está a prejudicar os alunos como admitiu o líder sindical, indicando que prestou essa informação à responsável da pasta: «Cada dia que passa é um dia em que as escolas estão a funcionar de forma pior, com prejuízo para os alunos».

Mário Nogueira recusa que a responsabilidade nos prejuízos possa ser atribuída aos professores, até porque os protestos foram sempre realizados fora do período de aulas, e responsabiliza a tutela por eventuais falhas. «Se as aprendizagens dos alunos ao longo do 1º período não forem aquelas que deveriam ser, nós responsabilizamos o ministério e o governo por, com a sua teimosia terem mantido este modelo, que prejudicou os professores e não permitiu aos alunos terem as aprendizagens que deveriam», disse.

Mails «intimidatórios» e «ilegais»

A Fenprof acusou também o ministério de estar a intimidar os professores. Segundo o sindicato, o ME está a utilizar as bases de dados do concurso de professores para enviar mails aos docentes a solicitar que preencham os objectivos individuais de avaliação. «Não assusta os professores, o ministério de Educação estar a enviar para os mails, professor a professor, uma ficha com o preenchimento de objectivos individuais, o que aliais é ilegal».

Mário Nogueira classifica o envio destes mails como uma «pressão ilegítima». «O que dizemos aos professores é: «não tenham medo». O ministério faz tudo para os intimidar, mas os professores só têm que respeitar a lei e confiar nos sindicatos (¿) «É uma pressão ilegítima. Os professores não têm que preencher esses impressos, os objectivos individuais a serem fixados é nas escolas e não para controlo político do ministério da Educação. O apelo que fazemos é que os professores não preencham essas fichas, porque a isso não estão obrigados».

«Mil escolas» com avaliação parada

A Fenprof adiantou ainda que até ontem à noite 170 escolas tinham suspendido já a avaliação de professores e que, sem suspensão oficial, mas paradas estavam já cerca de «um milhar» de escolas.

Mário Nogueira reafirmou que esta é uma «luta para vencer» e que novas formas de luta vão ser agendadas». O líder sindical declarou ainda que quer encontrar soluções para a avaliação ainda este ano, para que não se caia no «vazio», uma vez que a avaliação é «um direito dos professores».

A ministra da Educação prossegue hoje uma série de contactos com parceiros sociais para discutir o processo de avaliação dos professores, depois de na terça-feira ter recebido o Conselho Científico para a Avaliação de Professores, o Conselho Nacional de Educação, o Conselho das Escolas, a Confederação Nacional das Associações de Pais, a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação e outras entidades.
Cláudia Costa